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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Desconfiança na IA cresce no Brasil, aponta pesquisa

Apesar do crescimento da adoção no país, brasileiros estão menos confiantes na tecnologia, com destaque para os carros autônomos.

Desconfiança na IA cresce no Brasil, aponta pesquisa
Brasil

O Instituto Locomotiva divulgou nesta quinta-feira (4) uma pesquisa apontando queda na confiança dos brasileiros em relação à inteligência artificial (IA), apesar do avanço da tecnologia no país.

De acordo com os dados coletados pela empresa de pesquisa e inteligência de negócios, 82% dos brasileiros utilizam IA, mas o apoio à tecnologia foi na contramão da adesão entre 2021 e 2025. Nesse caso, áreas como redes sociais, plataformas de streaming e condução de veículos autônomos estão entre os terrenos mais áridos para a IA, quando o assunto é a confiança dos brasileiros.

Segundo o Locomotiva, a direção de veículos autônomos lidera a refração dos brasileiros entre os oito setores pesquisados, já que 24% das pessoas entrevistadas se disseram contra, 51% apoiaram em alguma medida e 25% se mostraram indiferentes. Em 2021, o percentual dos entrevistados manifestaram apoio à IA na direção dos veículos chegou a 67%.

Em relação às redes sociais, a pesquisa realizada com uma amostra aleatória de 1.499 pessoas entre os dias 4 e 8 de julho mostrou que a aprovação recuou de 73% para 57%, de 2021 para 2025. As outras áreas também apresentaram queda no apoio popular à IA, com menor retração, porém acima dos 2,5% da margem de erro. Nesses casos, as áreas e níveis de aprovação foram: atendimento telefônico (61%), sugestões de tratamentos (61%), direcionamento de conteúdo não noticioso (69%), recomendações de filmes (79%), publicidade (67%), recomendação de trajetos em mapas (78%).

Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a pesquisa mostra que a IA “pode ser útil, acessível e transformadora, mas também escancara a urgência de um uso consciente”.

O risco de deixar que a IA pense por nós é de reforçar desinformações, enviesar decisões ou invisibilizar vozes, acrescentou.

Além dos 82% dos entrevistados que responderam já terem usado IA em tarefes pessoas, 96% disseram que conhecem bem ou já ouviram falar, enquanto 57% afirmaram que usam a tecnologia no trabalho. Por outro lado, o levantamento mostrou diferenças de conhecimento de IA entre as classes: 81% nas classes A e B (com renda domiciliar acima de R$ 8 mil), 66% nas classes D e E (com renda abaixo de R$ 2 mil) e 73% no grupo intermediário.

Publicada pela Folha de São Paulo, a pesquisa foi encomendada pelo Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), fundado pelo cientista da computação Evanildo Barros Junior e por Álvaro Machado Dias, neurocientista com livre-docência pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colunista da Folha. O IAV, que tem entre seus apoiadores o apresentador Luciano Huck, divide a tecnologia em “IA de verdade”, para casos de uso positivos, como trabalho e estudo, e “IA de mentira”, para casos que lesam a sociedade, como fake news, golpes e manipulações de imagem.

Argumentando uma “IA de mentira”, a Venezuela acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de usar a tecnologia para forjar o ataque a uma embarcação esta semana, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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