Ana Paula Rabello conheceu o Bitcoin (BTC) em 2017, quando a contadora gaúcha foi apresentada à criptomoeda por um cliente que estava às voltas para informar seus ganhos com criptoativos em sua declaração anual de Imposto de Renda. O episódio foi o pontapé inicial para Ana Paula se transformar na “Loira do Imposto” e conciliar a paixão pelas criptomoedas com sua formação em Ciências Contábeis, além do entusiasmo pela blockchain, Web3 e outras tecnologias disruptivas. 

“A Loira do Imposto surgiu em um debate digital cujo tema era imposto e roubo, e ali tinha comentários de ‘loira doida, loira do imposto’, tipo essa mulher falando de pagar imposto de Bitcoin. Mergulhei de cabeça e estou até hoje, não sou só contadora, sou bitcoiner mesmo, maluca por tecnologia”, conta Ana Rabello. 

O trânsito pelos dois universos, das criptomoedas e da contabilidade, fez com que a Loira do Imposto acompanhasse de perto os meandros da evolução normativa das criptomoedas no âmbito da Receita Federal e da regulamentação no Brasil. 

“Acompanhamos aí o nascimento da IN1888/2019, códigos específicos para o Bitcoin, hoje já para todos os criptoativos, o que demonstra que estão acompanhando muito o mercado. E esse ano prova disso são os dados da IN1888 na declaração de imposto de renda”, salienta.

Autora do e-book gratuito "Como Declarar Bitcoin e outras criptomoedas no Imposto de Renda", a Loira do Imposto é figura marcante na comunidade cripto brasileira. Elo construído pelo trabalho que também inclui diversas publicações de dicas nas redes sociais. Entre esses canais está o “SAC da Loira”, um programa em que ela responde dúvidas dos contribuintes direto na caixinha de sua página no Instagram todas as quintas-feiras.

A contadora já não se preocupa com a quantidade de declarações de Imposto de Renda com informes de criptomoedas que preencheu, tampouco o número de clientes que ajudou a se acertarem com o Leão, mas estima que atualmente seja a profissional mais procurada por investidores brasileiros de criptomoedas pelo fato, segundo ela, de os contribuintes se identificarem com ela, com sua linguagem e com seu amor pelo Bitcoin, inclusive.  

“Trago um Bitcoin tatuado no punho, e tem o aspecto da complexidade das operações. Verificamos no dia a dia que, para um contador não bitcoiner, é muito difícil entender o contexto. Nós aqui conseguimos tratar dados que ninguém mais trata. Exemplo, se você cair na malha fina e precisar de alguém para ler e tributar 2000 carteiras 20 exchanges e cruzar tudo isso despejando números, é comigo”, explica.

Questionada sobre o principal recado aos investidores de criptomoedas em relação à declaração anual de Imposto de Renda, que deverá ser enviada à Receita Federal até o próximo dia 31 de maio, a contadora é direta:

“Não se iluda achando que está no anonimato quando opera fora de corretoras nacionais, a Receita Federal tem diversos caminhos e declarações acessórias as quais ela pode cruzar e te buscar em um procedimento fiscal, e isso sai muito caro. O Imposto de renda é a história da sua vida fiscal e financeira, ou você conta a história como ela aconteceu e administra esse encargo, ou pode ser surpreendido em ela contando essa história sozinha.”

Professora em um curso de pós-graduação em blockchain e mentora de um curso de formação de contadores, no momento com vagas fechadas, Ana Rabello não esconde seu entusiasmo com o futuro das tecnologias disruptivas:

“O futuro é na Web3, com DAOs [organizações autônomas descentralizadas] e metaverso, a moeda é o Bitcoin e eu acrescentaria somente a inteligência artificial, que sem dúvida, tem tudo a ver com nosso mundo.”

Os conselhos de Ana Rabello encontram lastros na própria Receita Federal, que revelou que cruza informações e já exibe seu saldo de criptomoedas no Imposto de Renda, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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