Em videoconferência promovida pela QR Asset Management, Geanluca Lorenzon, novo secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade revelou que a Receita Federal entende o potencial da tecnologia blockchain.
Ainda segundo Lorenzon a RFB quer investir em funcionalidades usando a tecnologia.
Durante o encontro, Lorenzon, também elogiou abertamente o bitcoin além da tecnologia blockchain.
A "live" contou, ainda, com a participação do presidente do Instituto Mises Brasil, Hélio Beltrão, e a mediação de Felippe Hermes, editor do BlockTrends, site de análises e tendências do mercado de ativos digitais.
Blockchain no Governo Federal
Lorenzon disse que a tecnologia blockchain está nos planos da Receita Federal em diferentes aplicações.
"Não é minha área, especificamente. Mas posso dizer que dentro do governo você se surpreenderia com o quão bem vista é a tecnologia blockchain. Acho que todos, inclusive a Receita Federal, entendem o potencial e querem investir nisso. Acreditam que é o futuro e que deve haver uma revolução com o que essa tecnologia pode oferecer" afirmou Lorenzon
O Secretário ainda disse que nutre uma simpatica pelo Bitcoin, embora não tenha declarado se é ou não investidor.
"Sobre o bitcoin, não vou dizer se invisto ou não, mas acho muito legal e apoiei bastante na época que estava no Mises", afirmou.
Liberalismo
Seguidores da corrente liberal, Lorenzon e Beltrão criticaram o paternalismo do Estado ao não permitir acesso a alguns tipos de investimento para investidores de varejo.
Assim, por exemplo, fundos com alta exposição a criptoativos, como os da QR Asset, só podem ser oferecidos a investidores qualificados.
Portanto, a saída encontrada por algumas gestoras foi alocar a maior parte da carteira em renda fixa, permitindo acesso, pelo investidor comum, a uma pequena porcentagem de criptoativos.
"O que acaba acontecendo é que o investidor normal paga taxas de administração altíssimas para ter a maior parte de seu investimento alocado em Renda Fixa, que é algo que ele pode comprar por conta própria. Ou seja, o Estado, ao tentar proteger, acaba punindo o pequeno investidor", apontou Beltrão.
Bitcoin e Escola Austríaca
Sobre o bitcoin, Beltrão analisou o BTC dentro da perspectiva da Teoria da Regressão, de Ludwig von Mises, economista da escola austríaca que dá nome ao instituto.
Assim, ele explicou que o bitcoin pode, sim, se tornar uma moeda de troca no futuro.
"Antes o bitcoin era um item colecionável que os entusiastas mineravam porque queriam ter um pedaço daquela invenção. Mas depois da transação da pizza de U$ 10 mil, esse item colecionável passou a ser transacionado. Se o bitcoin continuar crescendo, sendo utilizado e ganhar liquidez, ele pode se tornar uma moeda em alguma jurisdição. Não tenho nenhuma dúvida disso", finalizou.
LEIA MAIS
- Tribunal de Contas de Santa Catarina implementa sistema de CPF em blockchain da Receita Federal
- Ancine deve adotar Blockchain para garantir transparência em repasses
- Jair Bolsonaro manda criar a 'Rede de Blockchain do Governo Federal' dentro da Estratégia de Governo Digital
- Empresa por trás da Zcash propõe solução para configuração confiável
- '30 mil Bitcoin são vendidos todo mês para pagar energia de mineração', diz CEO da MineBest
- Estudo aponta que 94% dos fundos de doações pesquisadas estão alocando investimentos em cripto
- Casa de câmbio digital em risco de colapso após os bancos se recusarem a fazer negócios