Unick Forex, Investimento Bitcoin, Minerworld; CVM dá dicas para evitar pirâmides financeiras

Em busca de alta rentabilidade para seus recursos, investidores brasileiros tem se deixado 'enganar' por pessoas e empresas que oferem oportunidades 'unicas' de ganhos 'garantidos' acima de 30%, que afirma investir em Bitcoin.

Exibindo carros de luxo, viagens milionários e uma vida 'hostentação' líderes mostram o quanto é 'real' as promessas. No entanto, pouco tempo depois, saques atrasos, plataformas passam por reformulação, hacker 'roubam' os recursos e, uma série de outras desculpas ocasionam prejuizos milionários em milhares de pessoas.

Esse é o caso da Unick Forex, suposta pirâmide financeira que prometia alta lucratividade com Bitcoin e criptomoedas, com ganhos até 10 vezes maiores que o de investimentos tradicionais. Líderes da empresa hostentavam carros de luxo e conferênvias em hotéis luxuosos mostravam as maravilhas do negócio.

Sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM) e exercendo uma atividade ilegal no país, o Forex, a Unick, um belo dia, parou de realizar saques de seus clientes e, com a suspensão dos pagamentos, começaram as promessas, reforma na plataforma, criptomoeda própria, ataque hacker, entre outras desculpas e alegações, no entanto, "saque que é bom nada", diz um cliente.

Foi assim também com a Minerworld, outra suposta pirâmide financeira que lesou clientes brasileiros em mais de 850 Bitcoins. Este também parece ser o o mesmo roteiro da Investimento Bitcoin, também acusada de pirâmide financeira.

Segundo a CVM, em entrevista a Exame, o crescimento dos golpes pela internet provocou um aumento na quantidade de ordens de proibição de ofertas (stop orders). Somente de janeiro a junho, foram 15 proibições, contra 11 do ano passado inteiro, muito em função de esquemas de Forex e pirâmides financeiras, diz Guilherme Aguiar, superintendente de processos sancionadores.

Segundo ele, trata-se de uma situação que não é da competência da CVM, pois é estelionato, e não mercado de capitais. “Mas ficamos de olho mesmo assim, porque tem crescido muito a ocorrência de pirâmides, pela baixa dos juros e inflação e pelas pessoas estarem buscando outros tipos de investimento com maior rentabilidade”, explica a revista.

Em busca de alertar os investidores para que não caiam em golpes do tipo, a autarquia detalha algumas dicas.

“As vezes com o mínimo de cuidado, olhando o site da CVM ou entrando em contato com nosso atendimento, a pessoa evitaria perder dinheiro e impediria que esses esquemas se propagassem (...) há muitos incautos que estavam acostumados em investir em poupança com rendimento alto do tempo da inflação elevada que acreditam nas promessas e acabam enganados”, afirma.Aguiar.

Confira as dicas:

"i. divulgação (ofertas) de oportunidades de investimentos ou operações com promessa de alta lucratividade, cujos rendimentos ou lucros anunciados são muito superiores aos que poderiam ser obtidos no mercado formal, por meio de negócios regulares. Essas ofertas omitem o quão arriscadas deveriam ser, não fossem elas fraudulentas, pois é certo que quanto maior o rendimento esperado, maior também deve ser o risco esperado.

i. Essas propagandas falham em demonstrar claramente a viabilidade econômica do “investimento”;

iii. oportunidades de investimentos com supostas garantias reais ;

iv. promessa de alta liquidez, com a possibilidade de saques semanais ou até mesmo diários;

v. a adesão à oferta normalmente requer a indicação de um “patrocinador”, isto é, a pessoa à qual o novo participante ficará vinculado, posicionando-se imediatamente abaixo dela na pirâmide;

vi. essas propagandas de investimentos, operações ou negócios podem fazer menção a diferentes ativos e mercados, tais como o de moedas (Retail Foreign Exchange ou Forex), ações e outros ativos negociados em bolsa de valores, opções binárias, criptomoedas (bitcoins, Ethereum, etc.), títulos públicos (NTN-A ou Letras Tesouro Nacional – LTN, supostamente emitidas nos anos 70 e sob a forma impressa ou cartular), ativos florestais (mogno, eucalipto, etc.), ouro, diamantes, criação e engorda de animais (boi, avestruz, etc.); cotas de participação em franquias, empresas, fundos ou clubes de investimento;

vii. pouca informação sobre a empresa ofertante, o produto, o serviço, o suposto negócio ou o investimento;viii. empresa, projeto, negócio ou empreendimento novos, sem histórico verificável;

viii. reclamações nos Órgãos de Defesa do Consumidor (PROCON) ou em sites especializados, como o Reclame Aqui;

ix. falta de registro no órgão regulador e fiscalizador competente (CVM, Banco Central, SUSEP, etc.);

x. exigência de pagamento inicial sem clara contrapartida em produtos, serviços ou participações, normalmente com um prazo mínimo de carência para os “saques” ou “resgates”. Esse pagamento inicial pode se dar na forma de “investimento”, “taxa de adesão”, compra de kits de produtos, assinatura de “contas”, compra de cotas de participação, etc.;

xi. ênfase na captação de outras pessoas para o negócio ou "projeto”, por meio da indicação de novos "afiliados", sócios, investidores ou participantes;

xii. propagandas que dão amplo destaque unicamente aos benefícios, facilidades, lucros, rendimentos, premiações, bônus (tal como o bônus binário) e diversas outras vantagens."

Como noticiou o Cointelegraph, recentemente a Atlas Quantum, que também teve uma condenação emitida pela CVM, demitiu quatro de seus onze diretores. Foram demitidos o Diretor executivo de Crescimento, Marcelo Franco, a Diretora executiva de Riscos e Controle, Emília Campos, o diretor de Distribuição, Bruno Peroni e o diretor de Tecnologia, Rodolfo Marun.