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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Senado avança em projeto que proíbe propaganda de Bets

Audiência pública também avalia proposta de proibir participação de celebridades na promoção das plataformas de aposta on-line.

Senado avança em projeto que proíbe propaganda de Bets
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Em audiência pública na próxima quarta-feira (23), a Comissão de Esporte (Cesp) do Senado debate um Projeto de Lei (PL 2.985/2023) que proíbe a propaganda de serviços de apostas de quota fixa (Bets) e outro ((PL 3.405/2023) que barra a participação de atletas e celebridades em propaganda dessas plataformas de apostas esportivas.

De acordo com a Agência Senado, a audiência atende a requerimentos dos senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Jorge Kajuru (PSB-GO). O autor do PL 2.985/2023 é o senador Styvenson Valentim (PSDB-RN). Na justificativa, ele defende que, diante do poder econômico acumulado pelas empresas de apostas, o Legislativo deve atuar para estabelecer os limites da atividade. Portinho é o relator desse texto.

Já o PL 3.405/2023 é de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE) e tem finalidade semelhante. O relator é o senador Sérgio Petecão (PSD-AC). O projeto inclui na lei que regulamenta as Bets a proibição de publicidade realizada por equipes esportivas, atletas, ex-atletas, bem como apresentadores ou comentaristas de qualquer modalidade e de qualquer meio de comunicação. Também proíbe a propaganda feita por celebridades, influenciadores digitais ou quaisquer pessoas, conforme será definido em regulamento, que possam influenciar o comportamento de número significativo de pessoas.

A relação de convidados inclui especialistas no assunto, advogados, representantes da sociedade civil e de empresas.

Combate ao vício em Bets

Em outra frente, o parecer final da relatora da Comissão Parlamentar de Inquério que investiga as Bets (CPI das Bets), senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), deve incluir propostas para conter a ludopatia (vício em jogos), problema que tem prejudicado a saúde mental e deixado muita gente endividada, na avaliação da parlamentar. Segundo ela, legislações de outros países estão sendo analisadas em busca de práticas como biometria facial e outras tecnologias que tornem mais criterioso o cadastro de jogadores e dificultem, por exemplo, o acesso por crianças e adolescentes.

"Há países que já estão trabalhando em relação a isso, a gente pode usar o Direito Comparado. Mas é óbvio que a questão da identificação do rosto, senhas, a proibição, mesmo, de que menores consigam jogar, que os cadastros sejam feitos com muito critério e com várias comprovações porque hoje você faz o cadastro até em nome do CPF de gente morta, em número do CPF de gente morta. Então é complicado demais", declarou.

Conforme informou a Agência Senado, a mais recente edição do Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas, da Universidade Federal de São Paulo, mostra que 55% dos apostadores com idades entre 14 e 17 anos são pessoas com risco de desenvolver transtorno do jogo, enquanto essa proporção entre adultos é de 37,7%. Outro dado da pesquisa revela que pessoas com renda menor que um salário mínimo correm três vezes mais risco de apresentar um padrão de jogo problemático. Para enfrentar o problema, o relatório final da CPI poderá incluir limites de acesso a plataformas de apostas e de gastos nos cartões de crédito; além da facilitação do processo de descadastramento porque, de acordo com a relatora, há relatos de apostadores que não conseguem sair das plataformas.

“Limitação de jogos tem que ter. Se a pessoa entrou duas vezes nas plataformas, entrou só duas vezes. Limite de gastos. E outra: quando a pessoa deseja sair. Nós estamos aqui com um histórico de pessoas que falam 'eu quero me descadastrar'. Ele não consegue, é um vício. Um vício como pode ser um vício da nicotina, o vício do álcool, nós não podemos ter propaganda, tem que ser tratado como tal", acrescentou Soraya Thronicke.

Na próxima semana, a CPI das Bets também ouve o delegado que desarticulou sites que promoviam jogos ilegais, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.