A Polícia Federal revelou, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal, que apreendeu, junto com Leidimar Lopes, apontado como chefe e principal mentor da Unick Forex, empresa acusada de pirâmide financeira, anotações na qual o 'presidente' da empresa afirma ter mais de R$ 5 bilhões em Bitcoins e imóveis.
O valo porém não seria de Leidimar mas teria sido arrecadado com clientes da Unick Forex e não teria sido apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Lamanai, que chegou a bloquear mais de 1500 Bitcoins em nome da empresa, além de valores em contas bancárias, carros, imóveis e dinheiro 'vivo' com as pessoas presas.
"A Informação Policial 111/2019 registra que foi apreendida uma agenda com anotações manuscritas na residência de LEIDIMAR LOPES, cujo conteúdo indica a existência de patrimônio em moedas virtuais e imóveis (loteamento), no montante de 5 bilhões e 800 milhões de reais. Conforme pontuado na Informação, tais valores encontram correspondência em diálogos captados durante o monitoramento telefônico, nos quais LEIDIMAR afirmou possuir tal quantia em criptomoedas", revela a investigação.
A Polícia Federal revelou ainda que quando Leidimar foi preso, ele teria revelado chaves de acesso a carteiras de Bitcoin, que resultaram nas apreensões citadas, contudo teria ocultado outras carteiras que guardariam os maiores valores já que, com Leidimar foram apreendidos 'apenas' R$ 50 milhões de reais, menos de 1% do que teria 'ocultado' o empresário segundo as escutas telefônicas e as anotações.
O fato tem sido apontado como o principal fator para a manutenção de Leidimar preso já que somente ele teria acesso as chaves para o acesso as wallets com os valores que supostamente pertencem aos clientes da Unick.
"LEIDIMAR LOPES informou à Autoridade Policial, no momento de sua prisão, chaves criptografadas que permitiram a apreensão de bitcoins que equivalem a tão-somente 50 milhões de reais. Nesse contexto, a Autoridade Policial refere que a chance de recuperação dos valores registrados na agenda, caso ainda não tenham se dissipado, será mínima com a soltura do investigado.", diz o processo.
Somente na Urpay, a Polícia Federal revelou que foram identificadas transações de entrada no importe de R$ 1.617.169.362,51 desde a abertura de contas das empresas UNICK e supostas coligadas em sua plataforma, o que, segundo a Polícia Federal, "evidencia o elevado montante de valores".
Além de Bitcoin, veículos e imóveis, Leidimar e os operadores da Unick Forex, principalmente Fernando Salomon, apontado como 'sócio oculto' da Unick, teriam movimentado dinheiro em diversos países no exterior e, no caso de Lopes e Salomon, ambos são titulares de uma conta no Biscayne Bank, (EUA).
Leidimar também é acusado de usar a própria família como 'laranja' no suposto esquema, como teria ocorrido com seu pai, Alberi Pinheiro Lopes.
"A investigação também apurou a prática de fraudes na constituição de empresas mediante a utilização de ‘laranjas’, com a finalidade de beneficiar a organização criminosa. A constituição da empresa principal, UNICK, já seria exemplo de tal expediente, porquanto constituída por LEIDIMAR LOPES e seu pai Alberi Pinheiro Lopes, pessoas simples sem poder e/ou participação decisória na empresa. Outra fraude teria ocorrido na criação da empresa Golden Stripe Corp, que, conforme a representação, tratar-se-ia de empresa estrangeira de fachada sediada em paraíso fiscal com a finalidade de simular ser esta a empresa que gerencia os investimentos do ‘esquema UNICK’. Também é citado o caso das empresas ‘VEGA’, que já foram de FERNANDO BAUM SALOMON, passaram por CAREN CRISTIANI GREFF DE OLIVEIRA e migraram para ANA CAROLINA DE OLIVEIRA LOPES, filha de LEIDIMAR, cuja finalidade seria albergar bens móveis e imóveis de LEIDIMAR LOPES", diz a Justiça sobre a Unick Forex.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, LEIDIMAR LOPES está no centro de todas as tratativas que envolvem as estratégias e passos do ‘esquema UNICK’, sendo a pessoa que decide e define os rumos dos negócios, especialmente no tocante às estratégias de angariar clientes, aumentar volume de investidores e investimentos e de garantir a continuidade das operações. Para tanto, teria ciência de tudo o que ocorre, mantendo intensa agenda com as principais estruturas do grupo, que seguem suas determinações e submete questões para sua decisão final.
"Os elementos probatórios reunidos apontam para indícios consistentes de que LEIDIMAR LOPES é o líder de organização criminosa, estruturada hierarquicamente, com divisão de tarefas, para a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro, dentre outros delitos’ (...) LEIDIMAR BERNARDO LOPES estaria no topo do grupo criminoso, sendo tratado pelos demais integrantes como ‘Comandante’, ‘Presidente’, ‘Chefe’ e outras formas reverenciais, estando inserido em todos os fatos apurados na investigação, tanto diretamente como em virtude de sua posição de comando e ciência de todos os crimes", destaca a Justiça.
Como noticiou o Cointelegraph recentemente, em uma decisão publicada em 12 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo do poder judiciário no Brasil, declarou que Leidimar Lopes, apontado como chefe e principal articulador da Unick Forex, empresa acusada de pirâmide financeira, deve continuar preso e negou um pedido de Habeas Corpus feito pelo escritório Nelson Wilians em favor do réu.
A Unick Forex foi uma empresa que atuava no mercado nacional oferecendo supostos investimentos com Bitcoin e criptomoedas, prometendo lucros de até 4% ao dia com aplicações no mercado Forex, contudo, além de Forex ser proibido no Brasil pela Comissão de Valores Mobiliários, Lopes e nem a Unick tinha autorização ou dispensa da CVM para atuar no mercado.
Sem pagar seus clientes e desarticulada pela Polícia Federal, a Unick teria movimentado mais de R$ 28 bilhões e teria uma dívida de R$ 18 bilhões com seus clientes.
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