Aguerridos contra as criptomoedas até um passado recente, alguns bancos brasileiros acabaram por se render ao crescimento desse mercado, que já responde por uma fatia superior a 4,1 milhões de investidores no país segundo dados de julho do ano passado da Receita Federal. Porém, em linhas gerais, a oferta de criptomoedas a clientes dessas instituições ainda pode ser considerada tímida quando analisada a adoção por parte de bancos tradicionais no Brasil.
De acordo com a advogada e entusiasta de inovação Gabrielle Ribon, até que o Banco Central, que é a autoridade reguladora das criptomoedas nacional, edite a normatização infralegal, “essas instituições encontram desafios para atender as demandas dos clientes entusiastas desses perfis de produto”.
“Para isso, muitas montam estruturas no exterior para poderem oferecer aos seus clientes esses produtos, o que aumentam o custo de desenvolvimento e manutenção, além de serem necessários contratação de escritórios de advocacia e consultorias especializadas”, explicou.
Realidade que, segundo a especialista em Creative Technologies pela Miami Ad School e titulada LL.M em Direito Tributário pelo Insper, pode começar a mudar ainda no primeiro semestre, caso se confirme a publicação da normatização infralegal do mercado cripto no país.
À coluna E-Investidor, do jornal o Estado de São Paulo, Isac Costa, professor de pós-graduação do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), acrescentou que os bancos ainda estão mensurando riscos e oportunidades e que os produtos de investimentos baseados em criptomoedas devem seguir o compasso desse segmento de plataformas de investimento.
Ele lembrou que a aprovação da SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, de fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) baseados em negociação à vista (spot) de Bitcoin (BTC), em janeiro, aconteceu na seara de dúvidas de manipulação de preço da criptomoedas, uso ilícito e ausência de regulamentação.
Costa também ressaltou que os bancos costumam ser mais conservadores aos criptoativos por causa da volatilidade, realidade que, segundo ele, precisa ser mudada pela demanda e apetite ao risco dos clientes, e finalizou dizendo que as criptomoedas não são mais enxergadas como uma ameaça aos bancos, mas sim como alternativa de investimento.
Em direção contrária aos bancos que ainda não adotaram as criptomoedas, o Itaú lançou em dezembro o serviço de compra e venda de Bitcoin e Ethereum (ETH) através da íon, plataforma de investimentos financeiros do banco, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.