Golpe com Bitcoin movimentou R$ 250 milhões: 9 foram presos e 2 estão foragidos, diz policia

Em uma coletiva de imprensa realizada hoje, 05 de dezembro o Delegado Emmanoel David da Delegacia de Estelionatos da Polícia Civil do Paraná, responsável pela Operação Midas, revelou que parentes do operadores da suposta pirâmide financeira Blockchange teriam denunciado o suposto golpe baseado em Bitcoin e criptomoedas. Além disso destacou que os suposto golpistas teriam movimentado mais de R$ 250 milhões.

"No operação foram presos gerentes, presidentes e outros operadores da empresa (...) De acordo com dados da investigação houve movimentação bancária de R$ 250 milhões de reais. Entraram nas contas dos investigados R$ 70 milhões. Se eles eles fossem pagar hoje os investidores eles teriam que pagar mais de R$ 1 bilhão de reais o que é totalmente possível e inviável e mostra que se trata de um estelionato não de um investimento real de uma empresa sério"

Ainda segundo David, foram comprados carros, imóveis e o foco da Polícia Civil é buscar valores para ressarcir as vítimas. Ainda segundo o Delegado dos 11 mandados de prisão preventiva 9 foram cumpridos e 2 pessoas, incluindo o suposto presidente da empresa estariam foragidos.

Os presos devem responder pelos crimes de estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos  e lavagem de dinheiro. David destacou ainda que a exchange Braziliex não está sendo investigada pela Polícia Civil.

Confira a íntegra da Coletiva de Imprensa

"Realizamos operação em uma empresa de Bitcoin de São Paulo onde grande fluxo de valores monetários para compra de Bitcoin.  A empresa em São Paulo não está sendo investigada mas foi comprado determinados valores que foram mandados para aquela empresa o intuito da Polícia Civil é bloquear qualquer tipo de ativo que eles tenham naquela empresa"

Não houve nenhuma bloqueio judicial em contas da exchange e tampouco as operações foram suspensas. A ação visa buscar documentos que reforcem a apreensão dos golpistas

Em contato com o Cointelegraph a Braziliex respondeu que:

"Agentes da Delegacia de Estelionato de Curitiba estiveram na sede da Braziliex no dia de hoje, 05/12/2019, buscando informações a respeito de fraudadores e pirâmides financeiras.  

Firmando o nosso compromisso com a transparência, esclarecemos que recebemos prontamente os agentes e esta ação em NADA interferiu as operações da empresa. A Braziliex atua com forte política de Compliance e ações para coibir possíveis crimes, portanto,  a documentação solicitada foi prontamente disponibilizada por nossa equipe de Compliance.

Reforçamos que a Braziliex mantém fortes práticas e mecanismos para o combate à lavagem de dinheiro através de criptoativos, seguimos nosso trabalho com procedimentos de KYC, utilizando como base jurídica o direito brasileiro, europeu e orientações de organismos internacionais engajados no combate à lavagem de dinheiro.

Todas as funções de compra, venda, saques e depósitos estão funcionando normalmente na Braziliex. Qualquer dúvida, entre em contato com nossa equipe pelo Chat Online, via ticket em nosso Suporte e redes sociais".

A operação da Polícia Civil do Paraná começou logo pela manhã e foi realizada no Paraná, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Entre os presos está um agente carcerário que trabalhava no 11º Departamento de Polícia, na Cidade Industrial de Curitiba.

No total a operação cumpriu 62 mandado judicial, além das prisões são 16 pedindo bloqueio de contas bancárias e 24 pedidos para apreensão de veículos de luxo. A operação envolveu cerca de 50 Policiais Civis e apurou que o prejuízo estimado ultrapassa R$ 1,5 bilhão, entre o dinheiro investido pelas vítimas e a promessa de rendimento feita pelos criminosos.

Usando técnicas de marketing multinível os investigados prometiam retornos de até 400%, além de premiações por indicação.Também eram prometidos retornos sobre investimentos de 3 a 4% ao dia. A empresa e tampouco os investigados tinham autorização da Comissão de Valores Mobiliários do BrasilCVM, para realizar operações no mercado de capitais no Brasil e já haveria denúncia contra eles na autarquia.

A Polícia Civil teria começado a investigar o suposto golpe quando foi acionada por uma vítima da empresa que recebeu um e-mail dizendo que o valor investido só poderia ser pago após seis meses e que durante este período a empresa não pagaria ninguém pois teria sido vítima de uma fraude de cerca de R$ 20 milhões na Argentina.

Segundo informações da Civil do Paraná, a investigação já chegou a identificar 500 vítimas dos criminosos, mas a estimativa é que o número possa chegar a cinco mil. Os presos assim como outras pessoas que podem estar envolvidas na organização criminosa devem responder por estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento particular.

Como noticiou o Cointelegraph em outro caso de empresa de Bitcoin que lesou clientes no Brasil, a Justiça do Estado de São Paulo determinou a primeira suspensão de um processo aberto por clientes contra o Grupo Bitcoin Banco tendo em vista a Recuperação Judicial aprovada recentemente e que atinge todas as empresas ligadas ao GBB. 

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