Enquanto o preço do Bitcoin despenca, seus fundamentos permanecem mais fortes do que nunca. 

Durante os 11 anos de desenvolvimento do Bitcoin (BTC), ele foi acompanhado de inúmeras tendências e narrativas e em cada ciclo, novos tipos de participantes entram no mercado e imprimem suas marcas no preço da criptomoeda e no setor como um todo. 

Nos primeiros anos Bitcoin e dos primeiros protocolos de dinheiro digital (ver: b-money, Hashcash, Ecash, Bit Gold), os cypherpunks, matemáticos e criptógrafos trabalhavam para colocar em funcionamento os protocolos de dinheiro digital e testar suas novas tecnologias. 

Visões do Bitcoin (Versão de maior qualidade ). Fonte: Nic Carter
 

Na sequência, a ideia de uma rede barata para pagamentos na internet, uma espécie de concorrente do PayPal (que anos depois anuncia que a demanda por Bitcoin em sua plataforma excedeu todas as expectativas), um ouro digital resistente à censura de países e governos tiranos e depois, uma moeda darknet privada e anônima.

Com o desenvolvimento e popularidade crescente de outras criptomoedas, o Bitcoin começou a ser visto cada vez mais como uma moeda de reserva para a indústria de criptomoedas. 

Com a adoção de participantes dos mercados financeiros tradicionais, ele também se tornou um ativo financeiro não correlacionado. 

Entre 2010 e 2018, novos forks, empresas, adoções, hacks, regulações, ICOs e protocolos acompanhando ciclos de baixa e de alta no mercado.

Marcos da história e narrativas do Bitcoin (Versão de maior qualidade) . Fonte: Nic Carter

O início dos Institucionais

Após o início da pandemia do Coronavírus, à medida que os governos anunciaram estímulos trilionários, o mercado fortaleceu a narrativa do Bitcoin como reserva de valor global e grandes instituições começaram a anunciar novas e grandes alocações no ativo como uma forma de se proteger da inflação e erosão do dólar. 

Atualmente, mais de 36 empresas públicas só dos Estados Unidos estão expostas ao Bitcoin e o tesouro dos institucionais soma uma custódia de mais de 1.643.154 Bitcoin (7% dos 21 milhões passíveis de mineração). 

Além da alocação direta, gigantes históricos do mercado financeiro também começaram sua jornada dentro do setor.

Cowen, um banco de investimento de 103 anos e o banco mais antigo dos EUA, BNY Mellon, anunciaram a custódia de criptomoedas em nível institucional. ETFs foram aprovados no Brasil e no Canadá, empresas como Square, MicroStrategy, Tesla, Mercado Livre e Yubb compraram Bitcoin.

JPMorgan lançou uma cesta de exposição à criptomoedas e a BlackRock anunciou seu interesse nos ativos. E finalmente, a primeira empresa cripto nativa, a Coinbase passou por uma listagem direta na NASDAQ. 

E claro que os institucionais não ficaram restritos ao Bitcoin, inúmeros outros ativos como Ethereum, Filecoin, XRP e Polkadot também fazem parte desse movimento. 

A nova onda institucional

Alguns governos já estão fazendo HOLD de Bitcoin há algum tempo, as histórias mais comuns incluem a Bulgária (213,519 BTC) e a Ucrânia (46,351). 

A KiwiSaver Growth Strategy, um plano de aposentadoria de US$ 350 milhões operado pela New Zealand Wealth Funds Management, alocou 5% de seus ativos em Bitcoin, destacando o fluxo constante de investidores institucionais que estão entrando no espaço dos ativos digitais.

O condado de Nova Jersey obteve 250% de lucro com criptomoedas apreendida em 2018 e o governo do Irã pode ganhar mais de US$ 1 bilhão em receitas anuais da mineração de Bitcoin. 

Entretanto, na última semana, enquanto o preço do Bitcoin despencava, a adoção institucional atingiu um novo patamar com países querendo dar ao Bitcoin o status de uma moeda legal e política com laser-eyes. 

Bitcoin como moeda de curso legal e residência para Bitcoiners

Nayib Bukele, presidente de El Salvador - e um laser-eyes-, anunciou no último sábado, durante a Conferência Bitcoin 2021, sua intenção de apresentar ao Congresso de seu país uma proposta para tornar o Bitcoin uma moeda legal na economia salvadorenha. O presidente expressou que uma das motivações de sua decisão é que "os Bancos Centrais estão tomando cada vez mais ações que podem causar danos à estabilidade econômica de El Salvador". 

Dois dias depois, Bukele foi ao twitter anunciar que seu governo "ajudaria" a acomodar trabalhadores estrangeiros interessados em criptomoedas, anunciando quatro '' atrativos'' aos bitcoiners.

1. Excelente clima, praias de surf de classe mundial, propriedades à beira-mar para venda.
2. Um dos poucos países do mundo sem imposto sobre a propriedade.
3. Nenhum imposto sobre ganhos de capital para Bitcoin, uma vez que será uma moeda legal.
4. Residência permanente imediata para criptoempresários.

Inspirados pelo plano de El Salvador, o Paraguai deu um passo semelhante, com um congressista dando a entender um acordo envolvendo o PayPal para adoção da criptomoeda no país.

Hoje, Eduardo Murat Hinojosa, membro do Poder Legislativo mexicano e outro laser-eyes, anunciou que vai propor um novo marco legal para as criptomoedas no país.

Apesar da notícia ter sido bem recebida pela comunidade das criptomoedas, alguns entusiastas fizeram críticas ao caracter centralizador da proposta de Bukele, cujo parceiro de negócio escolhido não permite auto-custódia das criptomoedas. 

Políticos Laser-eyes 

A 'nova onda', como foi nomeada na aba portuguesa do Bitcointalk, inclui também políticos brasileiros com laser-eyes, como Fábio Ostermann (NOVO-RS ), Marcel van Hattem (NOVO-RS) e Gilson Marques (NOVO-RS). 

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