aO suposto ataque hacker contra o Tribunal Superior Eleitoral, realizado na manhã das eleições de domingo (15), teria sido orquestrado em uma "operação coordenada" para tentar descredibilizar as eleições de 2020, segundo matéria da Folha de S. Paulo.
A SaferNet, que trabalha em parceria com o Ministério Público Federal no monitoramento de fraudes eleitorais online, a campanha foi orquestrada com objetivo de "desacreditar a Justiça Eleitoral".
O TSE teria sido alvo de um ataque de negação de serviço (DDoS), mas os hackers não conseguiram invadir os sistemas do órgão.
Posteriormente, o grupo hacker que reclamou a autoria dos ataques ao STJ há 15 dias, postou um documento que seria resultado do ataque. Depois, novos dados revelaram que se tratava de informações de 2001, provavelmente roubadas de um servidor inativo.
O presidente da SaferNet, Thiago Tavares, falou sobre os dados colhidos em tempo real e enviados ao MPF e ao TSE:
"Trata-se de uma operação coordenada e planejada para ser executada no dia das eleições com o objetivo de desacreditar a Justiça Eleitoral e eventualmente alegar fraude no resultado desfavorável a certos candidatos"
Segundo a Polícia Federal, os dados vazados foram resultado de um ataque ao RH da Justiça Eleitoral antes de 23 de outubro, e os hackers teriam publicado o documento na manhã do domingo de eleições "para causar mais impacto", em paralelo ao ataque DDoS.
Tavares diz ainda que, a princípio, a tentativa de ataque não tem relação com o atraso na apuração dos votos pelo TSE, que segundo o presidente da corte, Luís Roberto Barroso, foi causado por um "problema técnico" em um dos supercomputadores do tribunal.
Depois da tentativa de ataque, uma série de perfis bolsonaristas, alguns investigados pela PF por outros crimes virtuais, postaram mensagens apostando em fraudes eleitorais e falta de credibilidade do TSE. O presidente da SaferNet também comentou:
“Vários grupos políticos já estavam havia dias questionando a segurança dos servidores do TSE e das urnas, como que antevendo o anúncio do suposto hacking”
Um dos apoiadores do governo, Paulo Moura, que é dono do canal de extrema-direita Avança Brasil, teria dito em transmissão no Periscope há 9 dias, mais de uma semana antes do ataque:
“Se o STJ foi hackeado, como confiar no TSE? Se a segunda maior instância da Justiça brasileira (STJ) é vulnerável a um ataque hacker dessa magnitude, e natureza, como confiar no TSE e seu sistema de controle da apuração dos votos das eleições brasileiras?”
Depois, em entrevista à Folha, Moura disse: “O TSE tem um problema real de credibilidade; apesar de dizer que os sistemas de contabilização de votos não foram atacados porque não estão na rede, sabemos que qualquer sistema plugado na tomada pode ser hackeado. Os ataques contra o TSE provam que o sistema é vulnerável”, disse ele.
Outro blogueiro de extrema-direita, Oswaldo Eustáquio, investigado pela PF, também foi ao Twitter dizendo que o TSE "sofreu um ataque hacker", que um crime estava "em curso" e sentenciou: "Vão fraudar as eleições".
Finalmente, o presidente Jair Bolsonaro, que viu a maioria de seus candidatos saírem derrotados nas eleições, tentou também "ressignificar" o resultado das eleições, dizendo que a "onda conservadora" de 2018 ganhou nova força.
Porém, de 59 candidatos apoiados pelo presidente, somente nove foram eleitos ou estão no segundo turno e apenas um deles nas principais capitais do país. O apoio direto de Bolsonaro conseguiu eleger apenas um vereador.
Após dura derrota política, Bolsonaro recorreu às "dúvidas" de seus aliados sobre o mesmo sistema eleitoral que o elegeu presidente. O presidente foi às redes sociais para, à moda Donald Trump, tentar questionar a apuração. Bolsonaro, defensor do voto em papel, disse que em 2022 o país terá um "sistema eleitoral aperfeiçoado".
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