A Apeoesp, sindicato que representa os professores do estado de São Paulo, anunciou para o próximo dia 26 de abril uma assembleia com paralisação dos profissionais. A iniciativa é uma resposta a um anúncio feito há alguns dias pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) de produção de aulas direcionadas a alunos do ensino médio e fundamental pelo ChatGPT, chatbot alimentado por inteligência artificial (IA) desenvolvido pela startup OpenAI.

Segundo informações veiculadas pelo Jornal Folha de São Paulo, uma circular da  Seduc-SP apresenta diretrizes do material a ser produzido pelo ChatGPT no terceiro bimestre desse ano, no caso aulas a partir de temas pré-definidos pela secretaria com posterior revisão pelos professores.

As aulas do “professor ChatGPT” foram anunciadas para começarem em agosto, após as férias dos estudantes, inicialmente para os alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e os três anos do ensino médio.

À CNN, o secretário de Educação, Vinicius Neiva, defendeu a utilização de IA argumentando que a ideia de implantação do chatbot é para “aprimorar o processo editorial.” Segundo ele, não há possibilidade de o ChatGPT substituir os professores, que serão os responsáveis por aplicar o conteúdo gerado por IA.

Por outro lado, especialistas ouvidos pela reportagem falaram em reduçãode investimento nos professores, preocupações com autoria e veracidade das informações, impacto no desenvolvimento do pensamento e falta de capacidade de a tecnologia se adequar às realidades locais onde os conteúdos são aplicados.

À rádio Itatiaia, o presidente da Apeoesp, Fabio Moraes, disse que os professores não foram consultados e que a inserção da tecnologia é “autoritária.” Segundo o representante sindical, a comunidade escolar precisa ser protagonista no processo.” 

Moraes disse ainda que a tecnologia entrega textos prontos, que está sendo proibida em diversos lugares e que tira a capacidade de criação. Já a deputada estadual professora Bebel, ex-presidente da Apeoesp, acionou o Ministério Público para tentar suspender o uso do ChatGPT nas salas de aula pelo governo de Tarcísio de Freitas.

Na iniciativa privada, o C6 Bank fechou parceria com a Amazon em solução que usa IA no atendimento aos clientes, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.