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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Validação biométrica por reconhecimento facial do governo bate recorde de usuários em meio a veto à Worldcoin

Em abril, a plataforma Gov.br atingiu 67,55 milhões de usuários ouro, categoria que exige validação biométrica por meio de reconhecimento facial.

Validação biométrica por reconhecimento facial do governo bate recorde de usuários em meio a veto à Worldcoin
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O Gov.br, plataforma de serviços públicos digitais do governo federal, atingiu a marca recorde de 67,55 milhões de usuários nível ouro na semana passada, segundo informações da Agência Brasil. Para alcançar o nível mais elevado de segurança da plataforma e ter acesso completo aos mais de 4.500 serviços públicos digitais oferecidos pelo governo, os usuários precisam passar por um processo de validação biométrica por reconhecimento facial.

A marca foi alcançada dias após a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) manter a proibição das operações no país do projeto de identidade digital e prova de humanidade World, que oferecia compensações financeiras em criptomoedas para seus usuários, mediante validação biométrica.

A A World oferecia aos usuários a oportunidade de escanear suas íris em troca de 57 unidades da Worldcoin (WLD), a criptomoeda nativa do ecossistema. Os usuários validados da World recebem também uma World ID, identidade digital criptografada que pode ser usada como prova de humanidade em interações on-line.

O processo de verificação da World é realizado por meio de dispositivos chamados 'Orbs', que capturam imagens de alta resolução da íris dos usuários para gerar um código único e anônimo capaz de identificá-los sem a necessidade de vinculação a quaisquer dados pessoais.

A ANPD entendeu que as compensações financeiras oferecidas pela World implicam em um vício de consentimento, dispositivo jurídico que invalida negócios, visando a proteção do consumidor.

Especialistas em direito digital contestaram a proibição, questionando até que ponto os usuários podem dispor de suas informações privadas em troca de incentivos financeiros e quais são os limites da atuação do governo na proteção da privacidade dos cidadãos.

Validação biométrica do Gov.br utiliza documentos oficiais emitidos pelo governo

O cadastro no portal Gov.br é gratuito e acessível a todos os brasileiros. No entanto, o sistema possui três níveis de segurança, que determinam os tipos de serviços públicos digitais que podem ser acessados e as transações permitidas.

Assinatura digital, acesso a certidões emitidas pelo governo, consulta de pendências fiscais e prova de vida são alguns dos serviços oferecidos pela plataforma.

Para atingir o nível ouro e ter acesso completo aos serviços do Gov.br, os usuários precisam se submeter a um processo de validação biométrica que envolve a captura de imagens por meio de dispositivos móveis ou computadores e a checagem de sua autenticidade em bases de dados do governo.

O primeiro passo é preencher um formulário on-line no site Gov.br e validar os dados na Receita Federal ou no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em seguida, os usuários devem fotografar o próprio rosto e submeter a imagem ao sistema. Automaticamente, a plataforma compara a imagem com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do QR Code da Carteira de Identidade Nacional (CIN) ou, ainda, com um certificado digital compatível com o ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira).

Se a validação biométrica for aprovada, o cidadão atinge o nível ouro e pode utilizar todas as facilidades da plataforma.

A classificação do Gov.br tem outros dois níveis. O nível prata também depende de validação biométrica facial, mas não exige o cruzamento da fotografia com as bases de dados do governo, sendo aprovado mediante apresentação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Para obter o nível bronze, basta fazer um cadastro na plataforma, informando o CPF.

Agora, os usuários com nível ouro já superam aqueles da categoria bronze, que somam 67,53 milhões, segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). No total, a plataforma Gov.br possui mais de 166 milhões de usuários cadastrados.

O crescimento do sistema não exime o governo de críticas. Ronaldo Lemos, advogado especialista em tecnologia, mídia e propriedade intelectual, afirmou recentemente que o sistema de identidades do Brasil está em colapso devido a um vazamento de dados que expôs na internet informações de todos os brasileiros.

Lemos chama atenção para a vulnerabilidade de sistemas centralizados como o Gov.br e defende que o governo deveria permitir que os cidadãos dispusessem de liberdade para monetizar seus dados e que empresas privadas oferecessem serviços de identidade digital, desde que respeitem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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