Depois do anúncio da mudança do Facebook para Meta por Mark Zuckerberg, o metaverso pode estar no limiar entre a liberdade virtual descentralizada e a manipulação das pessoas neste mundo virtual por causa da “busca do homem pelo controle de nossas vidas virtuais.” Pelo menos, esta é a opinião do professor de marketing na Universidade de Nova York Scott Galloway, expressa em um artigo publicado pela CNN Brasil nesta quarta-feira (13).
Galloway, que também é escritor e apresentador de podcast, classificou a pandemia de Covid-19, e o consequente isolamento social, como uma espécie de motor de propulsão responsável por levar muitas pessoas para as “zonas de conforto digital.”
Ele também frisou que diversos elementos desta “versão tridimensional imersiva da rede” já existem, como as interações sociais e econômicas, e explicou que a novidade do metaverso seria a conexão de aplicativos que já funcionam separadamente para proporcionarem “uma experiência perfeita.”
Nossos espaços virtuais discretos de hoje podem se tornar um universo virtual amanhã. Os ambientes tridimensionais dos jogos modernos, a conectividade das redes sociais e o poder comercial do e-commerce podem estar todos em um espaço contínuo e acessível a todos na Terra.
Por outro lado, Scott Galloway sugeriu que o combustível do metaverso é a possibilidade de lucro por parte de um rebanho de gigantes tecnológicas, como a Meta e a Microsoft. Porque este universo digital também se traduz em uma grande oportunidade para estas empresas, uma vez que representa a possibilidade de criação de uma plataforma social para a vida das pessoas: um local de trabalho, aprendizado e de ganhar e gastar dinheiro.
Um dos recursos elencados por ele para que seja viável o metaverso é o dinheiro, já que a economia do universo virtual precisaria se assemelhar à economia do mundo real para prosperar, o que segundo ele já está acontecendo.
Scott Galloway deixou claro que a preocupação dele se concentra no segundo pilar para que “um verdadeiro metaverso aconteça”: a liberdade. Em relação a este assunto ele disse que “não adianta ganhar dinheiro mágico na internet se você não pode gastá-lo onde quiser —online ou offline. E isso vale para todas as outras formas de capital que você constrói online também: seu capital social (amigos, conexões, seguidores), e suas posses, suas coisas.”
Por que comprar roupas se você não pode usá-las fora da loja? Por que comprar uma bolsa Birkin se você não pode exibi-la no metaverso? Ou usar o meu uniforme do jogo Fortnite? Ou em um show de Lil Nas X no Roblox? Eu comprei isso. Eu tenho isso. É meu, emendou.
O professor também lembrou que o metaverso e a Web3 foram prometidos na esteira da descentralização e da interoperabilidade, que, segundo ele, contrastam com silos digitais fechados ou jardins murados de hoje, ao citar algumas plataformas atuais, como Roblox, Twitter, Fifa e World of Warcraft.
O que também é familiar? Os riscos. Assim como no mundo físico, a liberdade é facilmente perdida e nossas vidas facilmente manipuladas. Nenhum metaverso construído por humanos será vazio do instinto humano de querer poder, e esse poder pode ser enorme.
Então, quem tem a visão, os recursos e talvez a arrogância de querer ser nosso “Deus científico”? Para acreditar que eles poderiam ser a pessoa mais poderosa da Terra?
Um palpite. A empresa anteriormente conhecida como Facebook.
Além da possibilidade de manipulação da liberdade, o metaverso apresenta outros riscos. Um deles seria a possibilidade de conexão entre o cérebro humano e os avatares do metaverso, comunicação que seguiria a linha das pesquisas realizadas pela empresa de neurotecnologia Neuralink, do bilionário Elon Musk. Um eventual interfaceamento cérebro-computador poderia tornar possível a recuperação de movimentos neurológicos, mas também poderia tornar possível a reprodução de experiências físicas do metaverso para o cérebro humano, conforme publicou o Cointelegraph Brasil.
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