A queda na taxa Selic e a disseminação da pandemia provocada pelo novo coronavírus contribuíram para o crescimento de esquemas conhecidos como pirâmides financeiras no Brasil, segundo relatório divulgado pelo Valor Investe.
Organizado pelo Ministério da Justiça e pelo Conselho Nacional de Defesa do Consumidor (CNDC), o estudo sobre pirâmides financeiras cita fraudes envolvendo especificamente empréstimos de dinheiro.
Para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é citada no relatório, o crescimento de pirâmides financeiras no Brasil pode ter sido motivado pela queda da taxa básica de juros (Selic) no mercado.
Selic e pirâmides financeiras
O Ministério da Justiça e o CNDC criaram uma força-tarefa dedicada ao combate de pirâmides financeiras que atuam no Brasil. De acordo com o relatório, esse tipo de golpe atrai investidores através da promessa de lucro fácil.
Além disso, as pirâmides financeiras são famosas pela oferta de uma porcentagem de lucro a partir de indicações de novos usuários, que aumentam o alcance do esquema, criando assim novas redes e líderes.
Enquanto isso, somente nos últimos cinco anos, a taxa básica de juros caiu 12,25% no país, por exemplo. Dessa forma, atualmente a Selic representa apenas 2%, encolhendo quase 80% desde 2016.
Segundo a CVM, a taxa básica de juros no Brasil não está atrativa para investimentos e isso corrobora para a expansão de golpes como pirâmides financeiras, que atraem investidores sem “percepção acurada do risco”.
Pandemia e crise econômica
Além da taxa básica de juros no Brasil que despencou 80% nos últimos cinco anos, o relatório aponta a pandemia do novo coronavírus como um dos fatores de crescimento da atuação de pirâmides financeiras.
Assim, a crise financeira provocada pelo COVID-19 pode ter colaborado para a expansão de pirâmides financeiras recentemente no mercado. Nesse caso, o estudo sugere que a falta de diversificação de renda fez aumentar a procura de investidores por esquemas com empréstimos consignados.
Combate força-tarefa
A força-tarefa criada entre o Ministério da Justiça e o CNDC concluiu que é preciso combater a atuação de pirâmides financeiras no Brasil através de um canal direto de denúncia para esse tipo de crime.
O relatório diz ainda que o mercado financeiro deve repassar informações para órgãos de defesa do consumidor, que podem atuar em denúncias contra pirâmides financeiras.
Embora o relatório não apresenta o valor total movimentado por pirâmides financeiras de empréstimos consignados, somente em um dos casos citados no estudo as autoridades bloquearam R$ 350 milhões.
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