A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) anunciou nas redes sociais a criação de um abaixo-assinado contra a emissão do Drex pelo Banco Central do Brasil. Segundo a Deputada, com o Drex, cada movimento do usuário será rastreado.

"...e bastará um clique para bloquearem sua conta ou sumirem com seus recursos — seja qual for a desculpa. Estamos falando de controle total sobre a sua vida financeira!", disse.

No entanto, a Deputada divulga algumas informações equivocadas sobre o projeto. A primeira delas é de que o "O Governo Lula quer implementar o Drex". No entanto, o projeto começou dentro do Banco Central do Brasil que é independente do Governo Federal.

Além disso, o projeto do Drex integra uma agenda antiga de modernização do Banco Central e começou a ser debatido ainda em 2015, no entanto, o projeto ganhou corpo com a nomeação do ex-presidente Roberto Campos Neto, que deu enfase a agenda BC#, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na página da petição, Zanatta também sugere que o Drex vai acabar com o dinheiro físico.

"... eu propus o PL 3341/2024 que proíbe a extinção do papel-moeda em substituição à moeda digital", disse.

Porém, a informação de que o Drex vai acabar com o dinheiro físico não está correta, segundo o BC. O Banco Central já afirmou e garantiu diversas vezes que o objetivo do Drex não é ser uma moeda de 'varejo', ou seja, voltada para pagamentos e movimentações cotidianas. Para isso já há o Pix que também não 'acabou' com o dinheiro físico.

O Drex é uma CBDC de atacado, ou seja, voltada para operações de contratos inteligentes, assim como vem sendo realizado nos testes, tanto na fase 1 que envolveu títulos públicos tokenizados, como na fase 2, em andamento, que envolve diversos casos de uso com operações automatizadas.

Para combater este tipo de desinformação, uma publicação no portal oficial da Secretaria de Comunicação Socialdestacou que são falsas as informações de que o Drex irá substituir o dinheiro em espécie.

"A emissão de papel moeda se dá por diversas necessidades e hábitos da população. A versão inicial do Real Digital será uma opção adicional ao uso de cédulas, mas – por ter foco no uso online – seu impacto sobre a demanda por papel-moeda não deve ser relevante", destacou o governo

Bancada 'anti-Drex'

A deputada Júlia Zanatta tem se destacado por sua atuação contrária ao Drex. Ela propôs o Projeto de Lei nº 3.341/2024, que visa proibir a extinção do papel-moeda em substituição à moeda digital, argumentando que o dinheiro físico é essencial para a liberdade econômica dos cidadãos, especialmente aqueles sem acesso a tecnologias digitais.

A parlamentar também expressou diversas vezes preocupações em relação ao Drex. Ela argumenta que o Drex representa uma ameaça à liberdade econômica do cidadão brasileiro, citando que essa moeda digital pode ser usada para monitoramento e restrições financeiras.

Zanatta alerta sobre o risco de vigilância estatal, com possibilidade de limitar gastos e geolocalizar transações.

A apresentação do PL 311/2025 ocorre em um momento crucial, uma vez que a consulta pública do Banco Central sobre a regulamentação de ativos virtuais está aberta até 28 de fevereiro. O Projeto de Lei nº 311/2025 ainda precisa tramitar pelas comissões pertinentes na Câmara dos Deputados antes de ser submetido à votação em plenário.

Zanatta argumenta que ao contrário do que o governo afirma sobre modernização e eficiência, o Drex pode abrir caminho para vigilância em massa, bloqueios arbitrários de contas e restrições financeiras impostas sem necessidade de decisão judicial.

Também integra a 'bancada anti-Drex' o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) que embora nunca tenha falado nada sobre o Drex durante o mandato de seu pai, agora defende que assim como feito por Donald Trump nos EUA, o Brasil deve banir o uso da CBDC no país.