Após uma correção de 17,2% desde a máxima histórica de US$ 73.750, registrada em março, o preço do Bitcoin (BTC) encontrou sustentação acima do suporte de US$ 60.000. No entanto, não tem mostrado sinais de força para retomar a tendência de alta iniciada na segunda metade do ano passado.
O período de consolidação entre o topo histórico e as mínimas locais de US$ 56.500 já dura 119 dias, e um movimento de alta ou de baixa parece cada vez mais iminente.
Diante da indecisão do mercado, os analistas estão divididos. Alguns acreditam que as condições macroeconômicas desfavoráveis e a falta de liquidez sugerem novas correções. Em oposição, os dados on-chain fornecem subsídios para que os traders confiem na continuação do mercado de alta em 2024.
Duas perspectivas divergentes sobre o preço do Bitcoin
Dois analistas com histórico comprovado de antecipação aos movimentos do mercado personificam à perfeição esta divergência.
De um lado, o capitalista de risco Andrew Kang, fundador e sócio da Mechanism Capital, alerta que não é hora de comprar a queda com base na crença de que o único caminho para o preço do Bitcoin é "somente para cima."
Comparando o estágio atual do mercado com ciclos anteriores, Kang traça um paralelo com maio de 2021. Naquela ocasião, em um mês, o Bitcoin caiu quase 50%, de máximas de US$ 59.500 a mínimas de US$ 30.000.
A forte correção teve início em abril, logo após o Bitcoin renovar sua máxima histórica em US$ 64.000. No fechamento mensal de maio, a vela vermelha de 35% consolidou-se como uma das maiores da história da criptomoeda. No fechamento mensal do mês seguinte, a vela vermelha de 35% consolidou-se como uma das maiores da história da criptomoeda.
Apresentando uma visão mais otimista amparada por dados on-chain, o analista independente Checkmate acredita que as condições atuais do mercado remetem a agosto de 2023.
O prejuízo de 11,2% acumulado naquele mês abriu caminho para uma alta de 184% nos sete meses seguintes. Na ocasião, o Bitcoin iniciou setembro cotado a US$ 25.950 e, em 13 de março, atingiu sua máxima histórica.
Gráfico mensal BTC/USDT de 2020 a 2024 (Binance). Fonte: TradingView
O caso dos ursos
Com a autoridade de quem antecipou a máxima histórica de março com base em uma análise sobre o impacto da aprovação dos ETFs de BTC à vista sobre o mercado, Kang rejeitou a comparação da queda recente com correções que antecederam fortes ralis do preço do Bitcoin no passado, como junho de 2021 ou dezembro de 2020.
Em uma postagem no X, Kang disse que a renovação constante de máximas históricas entre dezembro de 2020 e abril de 2021 distorceu as percepções dos traders, criando uma euforia sem precedentes:
"O ambiente atual é o mesmo. Ambos [os períodos] sucederam 9 a 10 meses do início da dinâmica de alta. Só que desta vez a euforia é motivada pelo ETF de Ethereum, com traders lendários pedindo novas máximas."
Em maio de 2021, lembrou o VC, correções eram comemoradas como oportunidades para comprar a queda, mas não houve uma reversão imediata, e as perdas se acumularam em um horizonte de curto prazo:
"Tivemos uma grande correção de US$ 64 mil para US$ 45 mil e todos foram às compras esperando que acontecesse uma reversão. Mas o que acabou ocorrendo foi que a queda continuou se aprofundando."
Embora acredite que o Bitcoin ainda possa alcançar novas máximas históricas em 2025, "isso não significa que não haverá novas correções extremas em um horizonte temporal de vários meses daqui por diante", afirmou.
O caso dos touros
Checkmate acredita que a recente correção pode ter encontrado seu fundo ao manter o suporte em US$ 60.000. Segundo o analista de dados on-chain, os principais catalisadores da queda já se esgotaram: a estratégia de negociação de carry trade de grandes investidores e a capitulação dos detentores de curto prazo (STH) de BTC.
Outro sinal de que o mercado está prestes a tomar uma direção clara é o longo período de acumulação. Para Checkmate, o caminho mais provável aponta para a retomada da tendência de alta:
"Após 18 meses de ação de preço unicamente ascendente, um período de vários meses de consolidação e correção não é apenas esperado, mas necessário. Não se abalem, pessoal, mas isso geralmente requer o gerenciamento de expectativas de curto prazo."
Em postagens subsequentes, o analista apresentou diversas métricas on-chain para justificar seu otimismo. "O Bitcoin está em agosto de 2023 até prova em contrário, é o [período] que mais tem semelhanças com o momento atual", escreveu o analista em 24 de junho.
Checkmate identificou um padrão similar de lateralização nos estágios iniciais dos mercados de alta de 2016 e 2019, conforme o gráfico abaixo.
Padrões do preço do Bitcoin. Fonte: Checkonchain (X)
O analista também identificou métricas que apontam que a queda recente ofereceu bons pontos de entrada para investidores com foco no longo prazo. Especificamente algumas que dizem respeito ao comportamento dos detentores de curto prazo:
"Prefiro acumular sats quando tanto o STH-SOPR quanto o STH-MVRV estiverem abaixo de 1. Não estou procurando por fundos, mas sim por descontos significativos."
Checkmate referia-se ao MVRV (Valor de Mercado por Valor Realizado) e ao SOPR (Spent Output Profit Ratio) de detentores de curto prazo. Ambos sinalizam boas oportunidades de compra após a queda recente, de acordo com padrões históricos.
Embora reconheça que não há liquidez no mercado capaz de impulsionar a demanda por Bitcoin após os influxos maciços proporcionados pela aprovação dos ETFs no primeiro trimestre, Checkmate discorda que os despejos de Bitcoin da Mt Gox e dos governos de Estados Unidos e Alemanha provocarão novas quedas:
"Meu instinto é que o mercado absorverá essas moedas e eliminará mais um caso de baixa do Bitcoin. Pode levar algum tempo e esforço, mas ainda estamos a menos de 20% de novas máximas históricas", escreveu Checkmate no X em 26 de agosto.
No início da tarde desta quinta-feira, o preço do Bitcoin acumulava uma alta intradiária de 2,4%, negociado a US$ 62.300, de acordo com dados da CoinGecko.
Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, uma tendência mais clara se materializará se o Bitcoin romper o canal entre US$ 60.000 e US$ 64.000 até o fechamento semanal.