Após uma denúncia anônima, o Ministério Público do Ceará (MP-CE) iniciou um processo para averiguar se a empresa MDX Capital Miner Digital Ltda, também conhecida como Credminer, está cometendo crime contra a economia popular.

A Credminer é, segundo a própria companhia afirma em seu site oficial, "a melhor ferramenta para criar e multiplicar criptomoedas de forma transparente e segura". 

Em contato com o Cointelegraph, Antônio Silva, fundador da Credminder, reconheceu a veracidade da denúncia e do processo no MP-CE (processo número 3003527-97.2019.8.06.0001) e disse que a empresa irá se adiantar à citação no processo e se oferecerá imediatamente para esclarecer a denúncia e qualquer dúvida sobre seu modelo de negócios. 

Antônio disse que procedimento semelhante da parte do MP de Santa Catarina foi arquivado por falta de indícios de que a empresa esteja cometendo algum crime.

Questionado sobre as reclamações e suspeitas sobre o modelo de negócios da Credminer, Antônio disse que a empresa tem mais de 200.000 clientes e apenas 39 reclamações no site Reclame Aqui, sendo algumas delas feitas por pessoas que nunca tiveram cadastro na plataforma de investimentos. 

O fundador da empresa disse que há uma margem de problemas com algumas operações da empresa, como é natural, mas que aqueles que tiverem problemas devem buscar o suporte para solucioná-los.

Além disso, afirmou que “seu modelo de negócios envolve, além de mineração, também trade e arbitragem de moedas digitais e o recolhimento de taxas em uma exchange controlada pela empresa”. 

Segundo Antônio são “dessas fontes de renda que vêm o lucro de cada participante e não de novos entrantes no negócio, como acontece com esquemas de pirâmides financeiras”.

Antônio defendeu o modelo de negócios da Credminer contra acusações de ser um esquema Ponzi ou pirâmide, afirmando que a empresa “não trabalha com marketing multinível, mas com um sistema de afiliados que geram meramente bônus de liderança e indicação”. 

Em nota, o MP-CE informou que "nesta quarta-feira (4/9), o MP-CE se manifestou nos autos pedindo ao delegado de polícia a instauração de procedimento investigatório. O delegado vai apurar a materialidade e a autoria dos fatos, se houver."

O número de casos de fraude financeira envolvendo criptomoedas no Brasil tem aumentado consideravelmente nos últimos meses. Conforme mostrou o Cointelegraph, a CVM sugeriu ao Ministério Público que investigasse as atividades da empresa Investimento Bitcoin que oferece rendimento de 2% ao dia com Bitcoin.