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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Câmara dos Deputados debate sobre crimes contra as mulheres usando IA

Deputadas saem em defesa da regulamentação, citando casos recentes de grave de violência digital e de gênero.

Câmara dos Deputados debate sobre crimes contra as mulheres usando IA
Brasil

Na próxima quarta-feira (3), a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados promove uma audiência pública sobre crimes cometidos contra mulheres com imagens falsas de nudez produzidas por inteligência artificial (IA).

O debate que está marcado para as 15h30, no plenário 14, atende a requerimento das deputadas Célia Xakriabá (Psol-MG) e Erika Hilton (Psol-SP). De acordo com informações da Agência Câmara de Notícias, elas querem discutir medidas legislativas e institucionais para enfrentar essa nova forma de violência digital de gênero.

No pedido de realização da audiência, as deputadas destacam que o caso recente de manipulação e comercialização de imagens falsas de nudez de alunas do Colégio Santa Maria, em Belo Horizonte (MG), criadas com o uso de ferramentas de inteligência artificial, evidencia os riscos da tecnologia quando usada para fins abusivos. O caso foi noticiado em junho pelo jornal O Tempo.

Para as deputadas, trata-se de um episódio grave de violência digital e de gênero, que evidencia a necessidade de regulamentação específica para proteger crianças, adolescentes e mulheres em ambientes digitais. Elas alertam ainda para os impactos psíquicos e sociais da exposição indevida e da revitimização, agravados pela sofisticação das tecnologias de inteligência artificial.

Esses episódios revelam uma nova camada de violência digital baseada em gênero, que é silenciosa, devastadora e ainda invisível para as políticas públicas e para a maioria das escolas e famílias. Essas violações escancaram a ausência de regulação específica, afirmam as deputadas no documento.

Direitos autorais

Nesta terça-feira (2), a partir das 13h30, no plenário 7, está prevista uma audiência pública promovida pela Comissão Especial sobre Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados. Na avaliação do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), um dos autores de requerimento para o debate, Projeto de Lei 2338/23, ao propor um marco legal para o uso da IA, precisa considerar com profundidade os impactos da tecnologia sobre a criação intelectual e a proteção jurídica de obras.

Para o parlamentar, existem diversas questões em aberto, entre elas:

  • o uso de obras protegidas por direitos autorais no treinamento de modelos de IA, sem autorização prévia dos titulares;

  • a atribuição de autoria em obras geradas ou cocriadas por sistemas de inteligência artificial;

  • a possibilidade ou não de proteção autoral de conteúdos gerados exclusivamente por máquinas;

  • responsabilidade de desenvolvedores e usuários de IA frente a infrações de copyright;

  • a criação de mecanismos de transparência e remuneração justa para criadores cujas obras sejam utilizadas como insumo.

A ausência de regras claras pode tanto comprometer os direitos de autores, artistas, jornalistas, desenvolvedores e educadores, quanto limitar o desenvolvimento de soluções inovadoras e competitivas no setor tecnológico, afirmou.

Enquanto a Câmara debate os rumos da regulamentação, a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, desembarca oficialmente no país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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