Em matéria paga na 'Exame', empresário diz ser especialista em criptomoedas e oferece serviços de empresa banida do Brasil

Um misterioso empresário publicou nesta quarta-feira, 16 de outubro, um publieditorial no portal EXAME, vendendo-se como "expansionista" de moedas digitais.

Apesar do texto não citar o fato em nenhum parágrafo, o suposto empresário, que atende pelo nome de Junior Amaral, e sua empresa, chamada de Equipe Águia, oferecem serviços da FX Trading, uma pirâmide de criptomoedas internacional investigada pela Polícia Federal do Brasil.

A "publicidade corporativa" publicada pelo EXAME tem o título "Junior Amaral: Expansionista mundial de sucesso das moedas digitais".

Não está claro pelas informações do texto se a escolha da palavra "expansionista" tem alguma base na atuação do suposto empresário, apesar dela ser usada cinco vezes em todo o texto, sempre para se referir a Junior Amaral. Em um dos parágrafos, ele chega a ser chamado de "Empresário Junior Amaral", em letras maiúsculas.

Sem oferecer nenhum dado concreto e com argumentos genéricos, o texto revela que o empresário começou sua trajetória em 2003 através do chamado "marketing multinível". Como alertou já a Comissão de Valores Mobiliários, este tipo de oferta muitas vezes é usado para maquiar pirâmides financeiras. 

Citando "vasta experiência", "habilidade e domínio das mais avançadas tecnologias" e o lançamento de "projetos no mundo como plataformas de última geração", o artigo fala exclusivamente das "qualidades" do empresário, que supostamente "já se posiciona em lugares de destaque ao que toca inúmeras premiações [sic]".

O texto diz que Junior Amaral "está desenvolvendo plataformas de robôs com inteligência artificial operando no Oriente Médio com destaque em Dubai, assim como no Japão, Brasil e mais de 121 países", para destacar novamente seu "caráter expansionista". Ele promete ter gerado "147 milionários empreendedores" de criptomoedas.

Finalmente, o artigo diz que a empresa Águia, de propriedade de Junior Amaral, atua no mercado há 9 anos. Na publicação, o portal EXAME diz que a publicidade corporativa não é de sua responsabilidade, mas da empresa JayPRO, que atua no mercado de publicidade digital.

No site da empresa, Equipe Águia, há dois vídeos dedicados à pirâmide internacional FX Trading, que é proibida de operar no Brasil e já foi notificada em Portugal e até mesmo na Índia por ofertas fraudulentas com criptomoedas, conforme noticiou o Cointelegraph. Além disso, não há referências ao empresário de moedas digitais Junior Amaral no Google além do artigo da EXAME e do site oficial da Águia.

A FX Trading ainda possui um menu exclusivo no site da empresa, com uma apresentação disponível em cinco idiomas diferentes. A FX Trading oferecia ganhos de 3% ao dia a clientes brasileiros, até ser proibida de operar no país. Pouco depois, a empresa voltou repaginada como F2 Trading, oferecendo basicamente os mesmos serviços, até ser novamente condenada pela Comissão de Valores Mobiliários.