O Delegado Emmanoel David da Delegacia de Estelionatos da Polícia Civil do Paraná, responsável pela Operação Midas, ocorrida hoje, 05 de dezembro contra as empresas Krypton Unite e Blockchange, acusadas de aplicar golpes com Bitcoin e criptomoedas em todo o Brasil, revelou que a exchange Braziliex não está sendo investigada pela Polícia Civil.
A declaração de David foi dada agora a pouco, às 10h30, durante uma coletiva de imprensa sobre o caso. A Braziliex foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Civil hoje como desdobramentos da investigação.
"Realizamos operação em uma empresa de Bitcoin de São Paulo onde grande fluxo de valores monetários para compra de Bitcoin. A empresa em São Paulo não está sendo investigada mas foi comprado determinados valores que foram mandados para aquela empresa o intuito da Polícia Civil é bloquear qualquer tipo de ativo que eles tenham naquela empresa"
Não houve nenhuma bloqueio judicial em contas da exchange e tampouco as operações foram suspensas. A ação visa buscar documentos que reforcem a apreensão dos golpistas
Em contato com o Cointelegraph a Braziliex respondeu que:
"Agentes da Delegacia de Estelionato de Curitiba estiveram na sede da Braziliex no dia de hoje, 05/12/2019, buscando informações a respeito de fraudadores e pirâmides financeiras.
Firmando o nosso compromisso com a transparência, esclarecemos que recebemos prontamente os agentes e esta ação em NADA interferiu as operações da empresa. A Braziliex atua com forte política de Compliance e ações para coibir possíveis crimes, portanto, a documentação solicitada foi prontamente disponibilizada por nossa equipe de Compliance.
Reforçamos que a Braziliex mantém fortes práticas e mecanismos para o combate à lavagem de dinheiro através de criptoativos, seguimos nosso trabalho com procedimentos de KYC, utilizando como base jurídica o direito brasileiro, europeu e orientações de organismos internacionais engajados no combate à lavagem de dinheiro.
Todas as funções de compra, venda, saques e depósitos estão funcionando normalmente na Braziliex. Qualquer dúvida, entre em contato com nossa equipe pelo Chat Online, via ticket em nosso Suporte e redes sociais".
A operação da Polícia Civil do Paraná começou logo pela manhã e foi realizada no Paraná, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Até por volta das 7h já eram sete os presos nesta operação. Entre os presos está um agente carcerário que trabalhava no 11º Departamento de Polícia, na Cidade Industrial de Curitiba.
No total a operação cumpriu 62 mandado judicial sendo que 11 para prisão temporário dos supostos organizadores do golpe, 16 pedindo bloqueio de contas bancárias e 24 pedidos para apreensão de veículos de luxo. A operação envolveu cerca de 50 Policiais Civis e apurou que o prejuízo estimado ultrapassa R$ 1,5 bilhão, entre o dinheiro investido pelas vítimas e a promessa de rendimento feita pelos criminosos.
"Teve pessoas que refinanciaram casas, carros. Venderam seus veículos. Inclusive há um caso de uma parente deles que morava nos EUA e fez empréstimos com bancos lá nos EUA onde os juros seriam menores, então valeria a pena se endividar para aplica. Então vários investidores venderam casas, apartamentos para conseguir numerário suficiente para fazer o investimento", revelou David
Usando técnicas de marketing multinível os investigados prometiam retornos de até 400%, além de premiações por indicação.Também eram prometidos retornos sobre investimentos de 3 a 4% ao dia. A empresa e tampouco os investigados tinham autorização da Comissão de Valores Mobiliários do Brasil, CVM, para realizar operações no mercado de capitais no Brasil e já haveria denúncia contra eles na autarquia.
A Polícia Civil teria começado a investigar o suposto golpe quando foi acionada por uma vítima da empresa que recebeu um e-mail dizendo que o valor investido só poderia ser pago após seis meses e que durante este período a empresa não pagaria ninguém pois teria sido vítima de uma fraude de cerca de R$ 20 milhões na Argentina.
Segundo informações da Civil do Paraná, a investigação já chegou a identificar 500 vítimas dos criminosos, mas a estimativa é que o número possa chegar a cinco mil. Os presos assim como outras pessoas que podem estar envolvidas na organização criminosa devem responder por estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento particular.
Como noticiou o Cointelegraph, em outro caso de suposto golpe com bitcoin, líderes da Unick Forex teriam aplicado um "golpe em cima do golpe", revelou a Polícia Federal nos desdobramentos da Operação Lamanai.
Segundo a PF, alguns líderes da Unick Forex divulgavam a empresa e arrecadavam dinheiro de clientes alegando que estes valores eram aplicados na Unick, contudo, os valores nunca teriam sido repassados para a Unick, desta forma os líderes teriam construído uma "pirâmide dentro da pirâmide".
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