O governo federal, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), deve informar nesta quarta-feira (24) o nome de quatro empresas contratadas por um total de R$ 197,7 milhões por 12 meses em serviços de monitoramento da popularidade da administração federal nas redes sociais, montante que destina a maior fatia à inteligência artificial (IA).

Maior licitação da história da Secom, a contratação tem como critério a melhor proposta técnica e não necessariamente o menor preço. De acordo com o edital, as empresas vencedoras deverão coletar até 20 milhões de menções ao governo em diversos idiomas além do português. Entre eles espanhol francês, italiano, alemão, japonês e madarim.

Os consórcios ou agências participantes também precisam apresentar propostas de combate a fake news. Já os contratos preveem 14 serviços divididos em 77 produtos. Entre eles o uso de IA na captura e análise de emoções e sentimentos dos brasileiros em relação ao governo, o que representa uma fatia de 36% do valor total da contratação.

Os dados coletados deverão ser usadas em dashboards (painéis de informações) e relatórios que servirão de base para a Secom medir a eficácia do governo. O que, segundo o ministro da Secom, Paulo Pimenta, é um passo importante para o aprimoramento do governo nas redes sociais.

MG adota IA para o Enem

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), sua vez, adquiriu a ferramenta Estudo Play. Segundo a SEE/MG, a plataforma, que usa IA, é uma importante aliada nos estudos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Disponível a partir dessa quarta-feira para os estudantes do 3º ano do ensino médio e dos 2º e 3º períodos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Estudo Play é uma plataforma adaptativa que oferece livros digitais das quatro áreas de conhecimento do Enem. 

A ferramenta disponibiliza também videoaulas, simulados, correção de redação, relatórios individuais de desempenho, ferramentas de monitoramento das aprendizagens e trilhas personalizadas de estudo criadas por inteligência artificial com base nas dificuldades de cada estudante. 

“Uma das vantagens dessa ferramenta é que a inteligência artificial é capaz de ler a letra manuscrita”, justifica a diretora de Ensino Médio da SEE/MG, Vanessa Nicoletti. 

Ela explica que basta o estudante redigir o seu texto no formato do Enem, respeitando as linhas, a quantidade e tamanho da letra, e depois tirar uma foto da redação no aplicativo. De acordo com a secretária, a plataforma utiliza a inteligência artificial de maneira inovadora para corrigir as redações, empregando algoritmos avançados para analisar diversos aspectos do texto. Ao receber uma redação, a IA da Estudo Play avalia aspectos como gramática, coesão textual, argumentação e adequação ao tema proposto.

A SEE acrescentou que essa análise identifica padrões linguísticos e características de uma redação bem elaborada. Com base nesses critérios, a IA atribui uma pontuação ao texto, oferecendo feedback imediato ao aluno sobre seu desempenho. Essa abordagem permite uma correção ágil e padronizada, garantindo uma avaliação justa e precisa das redações dos estudantes.

Na última semana, em resposta a um anúncio do estado de São Paulo de utilização da tecnologia na produção de material didático a estudantes dos ensinos fundamental e médio, a presidente do Conselho de Administração do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Ana Altenfelder, disse que a IA não pode tirar professores do papel central na educação, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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