A B3 Digitas, braço de ativos digitais da bolsa brasileira, e a Dimensa firmaram uma parceria para ampliar a oferta de fundos de investimento em criptomoedas no mercado brasileiro a partir de 2025.
Rodrigo Galasini, diretor de produtos e negócios da Dimensa, empresa especializada em tecnologia para operações financeiras, afirmou que a parceria visa atender a uma demanda crescente dos investidores brasileiros por produtos de investimento em criptomoedas regulados.
Com o mercado de criptomoedas em alta, a tendência é que ainda mais investidores busquem exposição aos ativos digitais em 2025, afirmou Galasini em reportagem do Valor Econômico:
“Todo tipo de fundo pode agora incluir criptoativos, e esperamos uma grande expansão desse mercado em 2025.”
Galasini se refere à Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que permite que fundos de investimento detenham criptomoedas adquiridas por meio de provedores de serviços digitais (VASPs) autorizados pelo Banco Central (BC).
A Resolução estabelece ainda limites de alocação em criptomoedas, de acordo com o perfil dos investidores aos quais os fundos são destinados.
Os produtos destinados a investidores profissionais – aqueles que possuem portfólios de R$ 10 milhões ou mais – podem ser integralmente compostos por criptomoedas. Fundos para investidores qualificados, com portfólios entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões, têm um limite de exposição de até 40%. Por fim, os fundos voltados para qualquer classe de investidor podem ter até 20% dos ativos sob gestão em ativos digitais.
As limitações visam proteger os investidores das flutuações de um mercado de natureza volátil e, por vezes, imprevisível.
Na prática, a partir de agora, qualquer fundo pode ter criptomoedas, ampliando a diversificação de opções para os investidores. Naturalmente, isso vai acelerar ainda mais a expansão desse mercado, afirma Galasini:
“Apenas 27% dos fundos, segundo a Anbima, estão em conformidade com a Resolução 175, então ainda há uma gama muito grande de fundos a serem adaptados.”
O executivo da Dimensa projeta também a entrada de novos players no mercado. “Fundos de grandes instituições e gestoras que trabalham com ativos tokenizados estão esperando pelo aumento da demanda.”
Na parceria com a B3 Digitas, a Dimensa será responsável pela conformidade regulatória dos novos produtos, incluindo todos os informes diários e mensais consolidados de negociação.
Caberá à B3 cuidar da parte operacional da negociação dos novos produtos. Galasini explica que a parceria é fundamental para a adequação às regras da CVM, destravando o potencial de mercado dos novos produtos.
“Sem a parceria, poderíamos enfrentar restrições dos gestores de fundos de investimento”, afirmou o executivo.
A Resolução 175 é parte dos procedimentos do BC e da CVM para regulamentação do mercado de ativos digitais no Brasil.
Para 2025, está prevista a designação das autarquias responsáveis pela fiscalização direta do mercado de ativos digitais, bem como a regulamentação das stablecoins, conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil.