O preço do Bitcoin atingiu US$ 73.562 na terça-feira, 29 de outubro, ficando a apenas 0,2% de renovar sua máxima histórica. O rompimento da resistência em US$ 70.000, que não era violada desde março, alimentou o otimismo do mercado.

Diante das perspectivas favoráveis aos ativos de risco no curto prazo, com as eleições nos EUA e a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) para definir o próximo ajuste na taxa de juros ocorrendo na próxima semana, um novo recorde histórico parece ser apenas uma questão de tempo para a maior criptomoeda do mercado.

A grande questão em um ciclo de alta marcado por eventos anômalos, valorização limitada e a ausência do varejo, é: até onde o preço do Bitcoin (BTC) pode chegar em 2025?

A plataforma de monitoramento de dados do mercado de criptomoedas Ecoinometrics publicou uma projeção baseada em quatro métricas-chave para tentar antecipar os próximos movimentos do Bitcoin: atividade on-chain, volatilidade e força da ação de preço das criptomoedas e dos ativos de risco.

O modelo desenvolvido pela empresa prevê que há 95% de chances de continuação da tendência de alta nos próximos 12 meses, contra 5% de probabilidade de retração.

No cenário otimista, a Ecoinometrics prevê que o Bitcoin pode mais do que dobrar de valor no período, atingindo uma valorização entre 102% e 148%, tomando US$ 65.000 como preço-base:

"Quando realizamos simulações levando em conta as condições atuais do mercado, descobrimos que a projeção mediana para os retornos acumulados no próximo ano ficam em torno de 100%. Esse valor colocaria o preço do Bitcoin na faixa de US$ 130.000 no final de 2025."

A valorização em cenários extremamente favoráveis poderia chegar a 465%, elevando o preço do Bitcoin um pouco acima de US$ 300.000 no período. Em oposição, uma reversão de tendência poderia resultar em perdas de 26% ou mais, derrubando o preço do Bitcoin abaixo de US$ 48.000.

Projeções de preço do Bitcoin nos próximos 12 meses. Fonte: Ecoinometrics

A Ecoinometrics aponta que os US$ 65.000 são a linha na areia para os investidores de Bitcoin no momento. O rompimento da resistência e sua conversão em suporte, em 15 de outubro, quebrou um padrão recorrente de máximas e mínimas mais baixas registradas desde março no gráfico diário do par BTC/USD.

Liquidez nos EUA será decisiva para continuação da alta

A transição do inverno cripto de 2022 para um novo ciclo de alta das criptomoedas coincide com a retomada da expansão do suprimento monetário M2 nos Estados Unidos, destaca a Ecoinometrics:

"O Bitcoin se destaca como o melhor ativo de proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias quando a criação de dinheiro se acelera, superando o ouro, as ações, as commodities e os títulos. Portanto, é natural que os investidores fiquem entusiasmados com o fato de que o suprimento monetário M2 dos EUA está crescendo novamente."

A M2 é uma métrica de liquidez que inclui moeda física, depósitos à vista, depósitos em poupança e outros instrumentos financeiros facilmente conversíveis em dinheiro.

No entanto, pondera a Ecoinometrics, a expansão da base monetária ainda está retornando aos patamares normais pré-COVID após um período estendido de políticas monetárias restritivas implementadas para combater a inflação.

"Antes da COVID, o M2 crescia cerca de 5% ao ano. Ainda não voltamos a esse patamar. O que estamos vendo é uma normalização pós-COVID, não uma nova fase de expansão", afirma a Ecoinometrics.

A especialista em macroeconomia e adepta do Bitcoin, Lyn Alden, declarou recentemente que não espera uma "explosão de liquidez" em 2025:

"Acho que não haverá uma grande explosão de liquidez em 2025. 2022 foi um ano particularmente ruim para a liquidez; houve uma estabilização em 2023 e agora, em 2024, [a liquidez] está gradualmente voltando a subir. O M2 continuará subindo gradualmente ou até mesmo poderá haver uma inflexão um pouco mais rápida, mas eu não estou esperando por fogos de artifício."

Recentemente, Alden publicou um estudo demonstrando que a expansão ou contração da base monetária M2 é o fator que exerce maior influência sobre o preço do Bitcoin no longo prazo.

Assim, não é razoável esperar uma alta do Bitcoin como aquelas testemunhadas em 2020-2021, quando os estímulos econômicos para mitigar os efeitos negativos da pandemia sobre o consumo injetaram uma liquidez incomum nos mercados financeiros.

Por outro lado, o boletim da Ecoinometrics pondera que, embora os níveis de liquidez nos mercados financeiros não favoreçam os crescimentos exponenciais testemunhados nos mercados de alta de 2017 e 2020-2021, os déficits governamentais crescentes e a emissão de títulos de dívida para mascarar problemas financeiros continuam sendo uma ameaça real à desvalorização das moedas fiduciárias.

"Comprar Bitcoin agora como um ativo de proteção ainda faz sentido estrategicamente", conclui a empresa.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, a dívida pública dos EUA deve atingir US$ 40 trilhões até 2026 e US$ 60 trilhões até o início da década de 2030, independentemente de quem  seja eleito presidente dos EUA.