O Bitcoin renovou sua máxima histórica em reais ao atingir a marca de R$ 407.880 na manhã desta terça-feira, 29 de outubro, de acordo com dados do Cointelegraph Brasil.
A alta do Bitcoin (BTC) acima dos US$ 71 mil e a desvalorização do real em relação à moeda americana contribuíram para que, pela primeira vez na história, o par BTC/BRL rompesse a marca dos R$ 400 mil.
Desde o início do ano, o Bitcoin registra uma valorização de 95% em reais, saltando de R$ 209.248 em 1º de janeiro para R$ 407.880, de acordo com dados da TradingView. Em dólares, os ganhos do Bitcoin são de 65%.
Gráfico diário BTC/BRL (Binance). Fonte: TradingView
"Isso mostra que o real está se deteriorando frente ao dólar devido a fatores políticos e econômicos internos", afirmou Caio Leta, chefe de conteúdo e pesquisa da exchange de criptomoedas Bipa.
"Em 2024, o Bitcoin cotado em dólar valorizou 65%, enquanto subiu 94,95% quando cotado em reais. Isso mostra que o BTC, assim como o ouro e outras commodities, é dolarizado e age como um ativo de proteção contra a desvalorização cambial", acrescentou Leta.
A renovação da máxima histórica do Bitcoin em reais ocorreu sem que a maior criptomoeda do mercado tenha superado o topo de US$ 73.750 registrado em março deste ano. Negociado a US$ 71.235, o par BTC/USD está a 3,4% de bater o recorde de preço atualmente em vigor.
A uma semana das eleições presidenciais nos EUA e a dez dias da próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), a volatilidade testemunhada no início desta semana era esperada pelos traders e analistas de criptomoedas.
Especialmente porque estão previstas a divulgação de indicadores macroeconômicos importantes nos próximos dias, incluindo o PIB dos EUA no terceiro trimestre, as folhas de pagamento não agrícolas (NFP) e o indicador de inflação preferencial do Banco Central dos EUA (Fed), o índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE).
Além disso, grandes empresas do setor de tecnologia divulgarão os seus resultados para o terceiro trimestre deste ano. Nesta terça-feira, é a vez da Alphabet, controladora do Google. Em seguida, virão a Microsoft e a Meta na quarta-feira. Por fim, Apple e Amazon apresentam seus balanços ao mercado e aos acionistas na quinta-feira.
Beto Fernandes, analista de criptomoedas da exchange Foxbit, alerta que, apesar do otimismo no começo desta semana, ainda é preciso cautela no curto prazo, especialmente por conta da reação do mercado acionário aos resultados das Big Techs:
"Mesmo que mais distante, a correlação entre as ações de tecnologia e o Bitcoin ainda prevalece."
Por outro lado, Fernandes destaca o saldo positivo dos ETFs de Bitcoin à vista na semana passada e o favoritismo nos mercados preditivos do candidato republicano pró-cripto à presidência dos EUA, Donald Trump, também são fatores que estão contribuindo para o sentimento positivo no mercado de criptomoedas.
Diego Consimo, analista da Crypto Investidor, destacou seis indicadores que apontam para a continuação da atual tendência de alta do Bitcoin no curto e médio prazo, em uma análise exclusiva publicada recentemente pelo Cointelegraph Brasil.