A onipresença de dispositivos e plataformas digitais no dia a dia das pessoas está tornando cada vez mais comuns que celebridades criem representações virtuais de si próprias para explorar oportunidades de geração de receitas adicionais, com a ampliação da presença em ambientes virtuais. No entanto, a produção e a manutenção de um avatar capaz de garantir ganhos no longo prazo exige um investimento inicial entre R$ 50.000 e R$ 150.000 no Brasil, relata reportagem da Forbes.

A tendência nascente de duplicação de nossas personalidades através de avatares também pode estar inaugurando a transição para uma era meta-humana. Na China, já é assim que as pessoas se referem às personalidades digitais.

No Brasil, embora os avatares já fossem utilizados por grandes marcas em suas estratégias de marketing digital, como a Lu do Magazine Luiza, o movimento começou a ganhar força no final do ano passado, quando Sabrina Sato lançou Satiko – um avatar com personalidade própria, e portanto complementar à sua, "para viver experiencias que não tenho tempo de viver e produzir um conteúdo diversificado", afirmou a influenciadora na ocasião.

Na semana passada, a empreendedora e fundadora da Boca Rosa Company, Bianca Andrade, apresentou Pink, seu alter ego digital, que já chegou ao mundo com mais de 90.000 seguidores no Instagram:

"A Pink será um alter ego meu e, a partir daí, o céu é o limite. Estou realizando o sonho de poder me multiplicar para fazer tudo o que almejo como influenciadora e com as minhas marcas. A Pink é um avatar que tem responsabilidade social e o objetivo de levar inovação. Ela vai liderar os projetos da holding Boca Rosa Company que envolve minhas marcas Boca Rosa Beauty e Hair, como diretora de marketing e criatividade."

Em comum, Sabrina Sato e Bianca Andrade têm a mesma empresa por trás da criação e do gerenciamento de suas personalidades digitais. A Biobots Tech é uma startup criada por cinco empresários brasileiros que é um misto de agência de influenciadores digitais com um laboratório de desenvolvimento de produtos para tecnologias emergentes.

Com um investimento inicial de R$ 20 milhões, a empresa nasceu com a proposta de criar avatares digitais de personalidades famosas para interação com fãs e marcas no metaverso. Além de dar vida aos avatares, a Biobots também assume o desenvolvimento de uma estratégia completa de gestão da personalidade digital das celebridades. Isso inclui uma gama de serviços como consultoria comercial, produção de conteúdo digital e gerenciamento de redes sociais. 

Não basta criar um avatar, é preciso desenvolver uma narrativa e uma estratégia de posicionamento no mercado, de forma similar a uma empresa ou a uma marca. Ricardo Tavares, CEO da Biobots, afirmou à reportagem que o investimento em um avatar depende de muitas variáveis, mas, em média, o custo fica entre R$ 50.000 e R$ 150.000.

Em geral, as equipes de criação e administração de avatares contam com 10 profissionais especializados em áreas tão diversas quanto modelagem digital, storytelling e marketing. Na primeira etapa, o cliente deve responder a um questionário bastante amplo sobre os atributos físicos, interesses, objetivos, e traços de personalidade, os quais, acompanhados de fotografias, serão utilizados para a criação de uma primeira ilustração do avatar.

Com a ilustração aprovada, passa-se ao desenvolvimento da primeira versão 3D da personagem digital, para depois criarem-se os detalhes, como textura de pele, cor e volume do cabelo, figurino e acessórios. Por fim, encaminha-se para a etapa de animação. O avatar está pronto para ganhar vida.

Então, uma nova etapa tem início: criar formas para potencializar a expressão desta personalidade digital sem as limitações do mundo físico. Como uma tecnologia nascente, as possibilidades são ilimitadas. E os custos são igualmente altos. Segundo o CEO da Biobots, o custo mensal de manutenção de um avatar pode chegar a R$ 70.000.

No entanto, a ideia é que o investimento seja compensado e possa gerar receitas adicionais significativas para os donos dos avatares no longo prazo, explica Tavares:

"Ao falar em retorno, gerar negócios passa a ser possível quando pensamos nos avatares como influenciadores virtuais. Formar comunidades, colaborar com diferentes marcas, aqui também estamos falando em publicidades pagas, e influenciar o comportamento de seus seguidores são algumas possibilidades."

Satiko, por exemplo, já fechou contratos com empresas como Renner, Coca-Cola, Boticário e Eudora.

Meta-humano

O conceito de avatar surge em paralelo ao do metaverso. Seriam personalidades digitais que habitam ambientes virtuais que reproduzem e expandem as potencialidades da experiência humana.

Por isso, na China, onde estas novas tecnologias são bastante populares, o conceito de avatar vem sendo substituído pelo de meta-humano. Segundo Vicente Martin, game designer e professor do curso de Sistemas de Informação da ESPM, a mesma premissa tecnológica é similar, porém, com algumas diferenças de contexto e casos de uso.

Trata-se de uma tendência recente, que surgiu no final do ano passado após o lançamento de Ayayi, o avatar criado pela empresa chinesa Ranmai Tecnologia, a qual foi associado o termo meta-humano pela primeira vez. A primeira aparição de Ayayi em uma plataforma de rede social foi capaz de engajar três milhões de pessoas, e fez com que o termo ganhasse força, como explica Martin:

"O fato de ter sido a primeira meta-humana virtual influencer, como a empresa que a criou define,  é, sem dúvida, um bom elemento de marketing para vender a imagem de inovação da personagem. Neste caso, o conceito de meta-humano está muito mais ligado ao fato de ela ser realista, o que, de certa forma, não muda muita coisa em relação aos avatares que conhecemos por aqui."

O diferencial dos avatares – ou meta-humanos – é sua onipresença em tempos e espaços simultâneos que influenciadores e celebridades reais jamais serão capazes de alcançar, diz o professor:

"Sendo uma personagem virtual ela não envelhece, pode trabalhar 24 horas por dia sem férias e, se for carismática, pode ter uma audiência fiel. Em tempos vindouros de metaverso e afins, eu acredito que marcas, produtos e serviços vão querer se apropriar desse tipo de personagem e vejo como uma tendência forte para o futuro do marketing."

Pink e Satiko devem ganhar a companhia de avatares de outras personalidades brasileiras em breve. As atrizes e atores Deborah Secco, Maria Flor, Luiza Possi, Cauã Reymond, Duda Nagle, Ticiane Pinheiro, e os influenciadores Rafa Kalimann, Doutor Alberto Cordeiro, Nina Silva e Nathalia Beauty devem ganhar personalidades digitais em breve, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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