O autor do best seller de finanças "Pai Rico, Pai Pobre" e adepto do Bitcoin (BTC), Robert Kiyosaki, declarou que o lançamento de uma moeda dos BRICS lastreada em ouro representa uma forte ameaça à hegemonia do dólar.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, ministros de Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul devem se reunir este mês para discutir o avanço do projeto de criação de uma moeda digital comum, ao mesmo tempo em que continuam a acumular reservas de ouro.

Adepto de longa data tanto do ouro quanto do Bitcoin, já não é de hoje que Kiyosaki alerta seus 2,5 milhões de seguidores no X (antigo Twitter) para se protegerem do colapso da moeda norte-americana.

Em uma postagem publicada no X no domingo, 12 de maio, durante viagem à África do Sul, ele disse estar atento aos rumores sobre uma possível "criptomoeda dos BRICS, possivelmente lastreada em ouro." 

Segundo Kiyosaki, o avanço do projeto pode acelerar o colapso do dólar: 

"Se a criptomoeda de ouro dos BRICS acontecer, trilhões em dinheiro falso, os dólares fiduciários dos EUA, voltarão correndo para os Estados Unidos, causando hiperinflação e, por fim, destruindo o dólar americano."

A manifestação termina com a recorrente sugestão de que as pessoas se protejam de um eventual colapso financeiro dos Estados Unidos comprando ouro, prata e Bitcoin. Há dez dias, Kiyosaki declarou que o "colapso já começou", culpando o crescimento desenfreado da dívida dos Estados Unidos, sem que o governo indique sinais de desaceleração.

Reservas de ouro de bancos centrais atingem maior nível desde 1971

Um indicador importante reforça a pertinência dos alertas de Kiyosaki. De acordo com uma postagem publicada pelo perfil de análise financeira The Kobeissi Letter no X, as reservas oficiais mundiais de ouro atingiram este ano o maior nível desde a década de 1970, quando o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, decretou o fim do lastro do dólar ao ouro. 

Resevas de ouro dos bancos centrais estão em alta e já igualam níveis de 1971. Fonte: The Kobeissi Letter (X)

Após uma queda acentuada desde o fim do padrão ouro-dólar, cuja reversão teve início após a crise financeira de 2008, as reservas do metal precioso dos bancos centrais têm registrado uma ascensão contínua. "Somente em 2022 e 2023, os bancos centrais mundiais compraram 1.081 e 1.037 toneladas de ouro, respectivamente", destaca a postagem.

Em alta de 15% desde o início do ano, o preço do ouro registrou uma nova máxima histórica de US$ 2.431,60 em 11 de abril. Nos últimos cinco anos, o metal precioso acumula uma valorização de 85%. "O ouro está de volta e mais forte do que nunca", conclui a postagem.

O que se sabe sobre a moeda comum do BRICS

A criação de uma moeda digital do BRICS foi discutida pela primeira vez em 2017, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil na ocasião. Inicialmente, discutiu-se a criação de um método de liquidação para negociações comerciais envolvendo os países do bloco.

Após o início da Guerra da Ucrânia e as sanções impostas pelos Estados Unidos e a União Europeia contra a Rússia, as discussões mudaram de foco, levando a uma ênfase maior na independência financeira do bloco. Mais do que apenas um sistema de pagamento, uma moeda comum do BRICS serviria como uma alternativa ao dólar e ao euro para transações internacionais.

Oficiais dos países do bloco mencionaram a possibilidade de criação de uma moeda digital lastreada em ouro e outras commodities, mas até agora não houve avanços significativos no desenvolvimento do projeto.

Apesar do objetivo comum, há uma série de dificuldades para criar e implementar uma moeda comum. Além da necessidade de um Banco Central unificado, "l​astrear um sistema bancário de reservas fracionárias com ouro só funciona temporariamente, porque as unidades monetárias se multiplicam mais rapidamente do que o ouro", disse ao Cointelegraph a especialista em macroeconomia Lyn Alden.

Enquanto o projeto de moeda digital comum não avança, os países do bloco estão adotando suas próprias moedas para liquidar transações internacionais. Em março do ano passado, o Brasil fechou um acordo com a China para habilitar o uso do yuan digital em operações comerciais envolvendo os dois países.