Precificado em torno de US$ 66,1 (-1,7%) na manhã desta quarta-feira (6), o Bitcoin (BTC) continuava no centro das atenções dos especialistas em criptomoedas após a nova máxima histórica, por ora, atingida no dia anterior, quando o benchmark esbarrou em US$ 69,3 mil antes de recuar. 

Sobre os possíveis efeitos dentro e fora do ecossistema cripto, o Cointelegraph Brasil ouviu especialistas brasileiros sobre o que esperar dessa explosão de preço do BTC. Movimento que coincidiu com US$ 648,38 milhões em entradas líquidas sobre fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) baseados em negociação à vista (spot) de Bitcoin, mas que também esbarrou na cautela dos mercados com a divulgação de novos dados da macroeconomia durante esta semana.

Na avaliação de André Franco, analista-chefe do MB Research, braço de pesquisas da exchange de criptomoedas brasileira Mercado Bitcoin (MB), “quando chega esse momento, de passar o recorde anterior [US$ 69 mil em 2021], as coisas andam bem mais rápido e mais do que isso: quando a gente olha no contexto de outros ativos, as coisas vão mais além, com o pessoal falando bastante sobre altseason, que é a temporada das altcoins, todas as moedas que não são Bitcoin”.

“Essa pernada acontece exatamente quando o Bitcoin se estabelece acima do preço recorde anterior, é exatamente nesse ponto que você tem ativos valorizando muito mais que o Bitcoin, onde as pessoas realmente fazem dinheiro. Talvez essa seja a segunda parte do ciclo do mercado, depois dos US$ 69 mil a gente inicia uma pernada, que seria o bull market mais clássico… então é mais ou menos isso que a gente vai até o final do ano, espero que a gente consiga chegar a US$ 100 mil”, acrescentou.

Franco finalizou dizendo que, com os ETFs, “o mercado de capitais tem a oportunidade de comprar Bitcoin de maneira fácil via ETF e isso só pode impulsionar mais o preço”.

Sobre os reflexos da máxima histórica do BTC para o mercado, a advogada e entusiasta de inovação Gabrielle Ribon, que atua no mercado financeiro com foco em novos produtos e tecnologias, declarou que o pico do Bitcoin “representa o holofote que o mercado está dando para os ativos virtuais em 2024”.

“O Bitcoin é a ‘bandeira’ desse modelo de ativos, e a alta procura próxima do evento de halving, previsto para abril de 2024, é uma sinalização clara de que o mercado tem interesse em expandir o emprego dessa categoria de ativos e trazê-lo para próximo do investidor ‘comum’”, explicou.

Em relação aos efeitos do rali do BTC para o ecossistema cripto, a especialista em Creative Technologies pela Miami Ad School e titulada LL.M em Direito Tributário pelo Insper frisou que “o Bitcoin puxa os demais ativos virtuais com ele, é uma vitrine e um experimento do apetite do mercado para operar com esses ativos”. 

Questionada sobre os possíveis efeitos da máxima do Bitcoin sobre o mercado de capitais, Ribon observou que “o mercado de capitais ainda está procurando encaixar as dinâmicas dos ativos virtuais em suas dinâmicas tradicionais, atraindo o investidor com o oferecimento de ETFs e novas formas de tokenização de ativos no mercado tradicional”.

“A máxima do BTC reforça essa tendência e também desafia os investidores e players do mercado a buscarem soluções e produtos para os ativos virtuais ‘nativos’, e não apenas para os tokens”, emendou.

Sobre o futuro, Gabrielle Ribon disse que espera ações regulatórias mais incisivas por causa do aumento de procura pelos criptoativos apesar de não esperar que o comportamento dos países seja na mesma envergadura de El Salvador, que reconheceu o Bitcoin como moeda legal no país em 2021.

“A própria movimentação dos Estados Unidos em relação a ativos tokenizados, o desenvolvimento de CBDCs [moedas digitais emitidas por bancos centrais] pelo mundo e a visibilidade e procura que esses ativos virtuais manifestam no mercado levam a uma forte tendência regulatória nos próximos anos, além de uma aproximação do oferecimento de produtos com base de ativos tokenizadas em interfaces mais amigáveis ao público comum”, finalizou.

Quem também está otimista com o Bitcoin é o especialista em criptomoedas brasileiro Diego Consimo, que acertou US$ 60 mil, disse que US$ 100 está próximo e alertou a possibilidade de correção, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.