O atual ciclo de baixa do mercado de criptomoedas afetou todos os setores da indústria, provocando não apenas a desvalorização dos ativos como a diminuição das atividades on-chain. No entanto, os blockchains games foi um dos raros nichos do mercado que conseguiu manter o interesse dos usuários e viu o número de transações aumentar ao longo do difícil ano de 2022.
Integrações com o metaverso e as finanças descentralizadas (DeFi) prometem criar uma nova onda de aplicações e caso de uso levando os games em blockchain a um novo estágio evolutivo, no qual a diversão e os potenciais lucros dos jogadores estejam equalizados de forma mais harmoniosa.
De olho nos próximos lançamentos ou mesmo nas atualizações de projetos populares, como Axie Infinity (AXS), DeFi Kingdomos (JEWEL) e Pegaxy (PGX), o Cointelegraph Brasil apresenta quatro fundamentos aos quais os jogadores devem estar atentos para escolher os melhores blockchain games.
1. Jogabilidade
A primeira geração de blockchain games foi marcada por jogos de recursos limitados, nos quais os potenciais ganhos financeiros se tornaram o fator preponderante para os jogadores no momento de escolher a qual ecossistema aderir. Com a queda do mercado, vem se desenhando uma transição do modelo play-to-earn (jogar para ganhar, em tradução literal) para o modelo play-and-earn, no qual os recursos de jogabilidade são tão importantes quanto as recompensas financeiras.
Atualmente, há blockchain games de gêneros diversos, desde tiro ao alvo, corridas automobilísticas ou de cavalos, até exploração espacial, além dos muito populares jogos de cartas. Procurar um game no qual você possa jogar se divertindo e utilizando suas melhores habilidades é fundamental para que a motivação e o engajamento em um determinado ecossistema possa se sustentar ao longo do tempo.
À medida que os jogos vão ficando mais sofisticados tanto em termos de grafismos quanto de jogabilidade, a tendência é que mais usuários sejam atraídos para o espaço, contribuindo para a expansão da economia dos games.
2. Ecossistema
A maioria dos jogos play-to-earn da primeira geração desenvolveu um ecossistema em torno deles. O Axie Infinity, por exemplo, implementou a sua própria sidechain para hospedar o seu ecossistema em expansão, a Ronin, que hoje conta com sua própria exchange descentralizada (DEX), além de oferecer alguns recursos DeFi, como staking e provisão de liquidez.
Assim, o potencial de expansão e a eficiência do ecossistema são dois fatores aos quais os usuários devem estar atentos. O próprio Axie Infinity acabou sendo duramente afetado pelo hack de uma ponte que conectava a Ronin à Ethereum, resultando no desvio de aproximadamente US$ 600 milhões em fundos dos usuários do ecossistema.
Um ecossistema robusto também potencializa o valor dos tokens que o compõem e sustentam, fazendo com que as recompensas e os ativos in-game sob a forma de NFTs (tokens não fungíveis) acumulem valor ao longo do tempo.
3. Valor e utilidade dos ativos
A principal diferença dos jogos convencionais para os blockchain games é o fato de que os NFTs e as recompensas têm valor de troca no mundo real, podendo ser negociados em exchanges de criptomoedas ou marketplaces de tokens não fungíveis por stablecoins ou outros criptoativos conversíveis em dinheiro.
Esses ativos também podem ser utilizados para incrementar os recursos dos jogadores com a aquisição de itens adicionais como armas, skins, veículos, e um sem fim de itens, dependendo da natureza e do gênero do jogo em questão.
Outro fator importante a ser levado em questão é: os personagens e todos os demais itens baseados em NFTs podem ser utilizados em outros ecossistemas? A capacidade de integração a ambientes não nativos é uma característica desejável, pois torna os ativos mais valiosos.
4. Recompensas
Sendo baseados na mesma lógica de incentivos e compensações característicos às criptomoedas, os blockchain games giram em torno de recompensas. Investigar a lógica econômica por trás de um determinado jogo, entendendo como funciona a emissão e qual o suprimento dos tokens distribuídos de acordo com o desempenho dos jogadores é importante caso o jogador tenha motivações financeiras como prioridade de engajamento.
Até hoje, a maioria dos blockchain games constituiu seu modelo econômico em torno de um sistema dual. Basicamente, o valor agregado pelo jogo é distribuído para os usuários através de um token de governança e de um token de utilidade.
O primeiro tem um suprimento limitado e é usado para participar das decisões acerca dos rumos do projeto e para breedar os NFTs (tokens não fungíveis) do jogo. O segundo tem um suprimento ilimitado e serve para recompensar os jogadores pelo cumprimento de tarefas no jogo em si.
À medida que a base de usuários desses jogos se expandia, com mais jogadores sendo recompensados com tokens inflacionários, os desenvolvedores teriam que criar um mecanismo para equilibrar oferta e demanda. No entanto, até hoje, a maioria deles falhou.
Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o Brasil é o terceiro país no ranking de usuários ativos de blockchain games, atrás apenas dos EUA e das Filipinas.
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