Arquitetada em Solidity, uma linguagem de programação considerada de alto nível e criada para ser executada na Máquina Virtual Ethereum (EVM), a rede blockchain Ethereum (ETH) ganhou o mundo físico, pelas vias dos mais de 2.500 aplicativos de finanças descentralizadas (DeFi) presentes na vida de milhões de pessoas, por exemplo, e o metaverso, já que a tecnologia possibilita a posse e transações de patrimônio digital.
A blockchain que sustenta o desenvolvimento da internet descentralizada, a Web3, também pode ser considerada a blockchain da inclusão, da oportunidade a pessoas desfavorecidas no mundo físico, como a professora Naiara Lima, de 28 anos, que se divide entre cuidar de seus filhos, de 7 e 11 anos, ministrar aulas na comunidade onde vive, uma aldeia indígena em Mâncio Lima, a 660 quilômetros de Rio Branco (AC), e estudar programação da blockchain da Ethereum.
Ao jornal Valor Econômico, Naiara contou que teve dificuldade para chegar ao fim do curso, recém-concluído em setembro ao lado de sua colega Amanda da Costa, enquanto outros quatro membros da aldeia acabaram desistindo.
A professora, que pretende conciliar suas atividades docentes com o desenvolvimento cripto, assistiu a um total de 290 horas de conteúdo técnico de segunda a sexta-feira, três horas por dia, ao longo dos últimos três meses. Ela faz parte de um total de 40 pessoas que já foram formadas pelo programa Cripto Dev, iniciado este ano por meio de uma parceria entre a Bockchain Academy, braço educacional do grupo 2TM, dono da exchange brasileira de criptomoedas Mercado Bitcoin (MB), e a Gama Academy, startup educacional focada em mercado digital, que teve aporte de Ânima Educação e que já formou 200 mil pessoas.
O fato de ser mulher e moradora da região norte favoreceu Naiara, já que estas condições fazem parte dos critérios que o Cripto Dev leva em conta para considerar as pessoas em vulnerabilidade social, além de focar em pessoas pretas, pardas, indígenas e com baixa renda familiar. Critérios em que se enquadrava o jovem Jefferson da Silva Barros, de 24 anos, morador de Camaragibe, na região metropolitana do Recife (PE), considerado pelos professores o melhor aluno da turma, possivelmente favorecido por acumular certa experiência adquirida em um curso de ciência da computação. Segundo a publicação, o rapaz acaba de ser contratado como desenvolvedor blockchain de um dos maiores bancos do Brasil.
A vitória de Naiara, Jefferson e dos demais alunos também é a vitória de JC Bombardelli, professor da Gama Academy, que contou a necessidade de aumentar a carga de motivação durante as aulas cotidianas em função de saber do esgotamento e cansaço da maioria dos alunos. Já a vice-presidente de Recursos Humanos do MB, Daniela Cabral, explicou que a ideia de criar o Cripto Dev surgiu da necessidade de formação de profissionais especializados em blockchain e da importância de priorizar os menos favorecidos.
Quem pareceu não focar na blockchain para benefício social e sim na vigilância da privacidade das pessoas foi o ministro da Economia Paulo Guedes, cuja declaração na entrevista ao podcast Flow, na última terça-feira (27), foi interpretada como uma evidência de riscos à privacidade associados ao Real Digital, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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