Dados da plataforma de análise on-chain Glassnode publicados no Twitter na manhã desta quinta-feira (17) mostravam que os detentores de longo prazo do Bitcoin (BTC) amargavam uma média de -33% em perdas não realizadas, percentual muito próximo do inverno cripto de 2018, quando esta média chegou a -36%. 

Negociado em torno de US$ 16,5 mil (-1,1) e respondendo por 38,5% dos US$ 825 bilhões (-1,77%) de capitalização de mercado, o Bitcoin sentia mais uma consequência negativa da crise de liquidez que resultou no pedido de falência da exchange de criptomoedas FTX. Na última quarta, o fundo de investimento institucional Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) confirmou problemas de liquidez com uma de suas subsidiárias, o braço de empréstimo de criptomoedas Genesis Trading, que pausou as retiradas e provocou mais tensão no mercado. 

As principais altcoins por capitalização de mercado, com exceção das stablecoins, também operavam em queda, que variavam entre -2% e -4%. Apesar disso, algumas registraram avanço diário, como o APT, negociado por US$ 4,65 (+9,7%), o LEO, avaliado em US$ 3,97 (+4,5%), o LDO, transacionado a US$ 1,21 (+1,3), o EWT, nivelado em US$ US$ 3,43 (+9,5%), o SYN, cotado a US$ 0,66 (+4,1%), e o VGX, que se destacava ao ser precificado em US$ 0,42 (+49%).

Os problemas de liquidez da Genesis, que se juntaram a outros, desde o colapso nas empresas de Sam Bankman-Fried (SBF), também serviram de combustível para o êxodo de baleias e sardinhas, que nos últimos dias optaram por retirar Bitcoins e altcoins das exchanges centralizadas (CEX) e guardar em carteiras de autocustódia. 

Além disso, a busca pela autocustódia favoreceu o Trust Wallet Token (TWT), já que o token da carteira digital autocustodial da Binance disparou após o fundador da exchange, Changpeng Zhao (CZ), declarar no Twitter:

“Trust Wallet suas chaves, suas criptomoedas.”

Negociado a US$ 2,14 (8), o TWT acumulava alta semanal em torno de 100%, o que representava quase toda a totalidade do avanço mensal. Na última segunda, o TWT apresentava alta de 55% e no dia anterior distarava 45%.

Gráfico mensal do par TWT/USD. Fonte: CoinMarketCap

Comparando o gráfico mensal do TWT com o do FTX Token (FTT), token da exchange de SBF que derreteu após a descoberta de uma alta concentração de FTT no balanço patrimonial da Alamenda Research, empresa irmão da FTX, é possível perceber que um é quase que o “espelho do outro” no que diz respeito às direções opostas que seguiram após o crash. 

Ao passo que o TWT disparava, o FTT derretia praticamente na mesma proporção, com a defasagem de alguns dias. Tanto que o FTT era negociado a US$ 1,60 (-5,5%) e acumulava uma queda semanal de -94%, percentual que ficou pouco abaixo, inclusive, da retração acumulada mensal.

Gráfico mensal do par FTT/USD. Fonte: CoinMarketCap

Enquanto as baleias do BTC nadavam em direção à autocustódia, um grande mamífero dos mares cripto fazia o trajeto oposto ao transferir US$ 252 milhões em Ethereum para a exchange Bitfinex, o que deixou as sardinhas ainda mais ariscas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil

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