O mercado de criptomoedas vive um turbulento período após o colapso da FTX, causado pela insolvência da exchange. Um dos resultados foi a empresa de empréstimos de criptoativos Genesis paralisar seus saques nesta quarta-feira (16).

Para Jason Yanowitz, fundador da Blockworks, caso a Genesis ‘quebre’, praticamente todas as empresas do mercado de ativos digitais será impactada.

Genesis prejudicada em vários episódios

A Genesis publicou em seu Twitter a suspensão de saques e novos empréstimos. O colapso da FTX fez com que usuários corressem para sacar seus fundos da empresa, e sua liquidez atual não é suficiente para processar todas as retiradas, explica a publicação.

A notícia acendeu um alerta para os investidores do mercado de criptoativos, que foi refletido na queda do preço do Bitcoin (BTC) nas últimas 24 horas. Yanowitz, que se identifica como Yano no Twitter, comentou sobre o episódio em seu Twitter.

A Genesis é uma grande empresa para o mercado cripto. A empresa integra o Digital Currency Group, do qual a Grayscale faz parte. A Genesis é, inclusive, provedora de liquidez do fundo Grayscale Bitcoin Investment Trust. Por isso, Yano crê que a queda da empresa de empréstimos pode ser muito mais impactante do que o colapso da FTX.

O fundador da Blockworks aborda o tamanho da Genesis em números:

“No estado atual do mercado, a Genesis estava movendo volumes consideráveis. Vejam esses números do quarto trimestre de 2021: US$ 50 bilhões em empréstimos originários, US$ 12,5 bilhões em empréstimos ativos, US$ 31 bilhões em volume do mercado de spot e US$ 21 bilhões de derivativos negociados.”

A Genesis havia emprestado US$ 2,4 bilhões ao fundo de hedge Three Arrows Capital, que se tornou insolvente e prejudicou seus credores no fim do segundo trimestre deste ano. Do valor total, o Digital Currency Group cobriu US$ 1,2 bilhão.

Além da Three Arrows Capital, a empresa de empréstimos também tinha exposição à Babel Finance. A Babel também foi atingida pela implosão de plataformas centralizadas ocorrida em junho. Em suma, o cenário já não era dos melhores para a Genesis.

O tamanho do impacto

Yanowitz passa a abordar então o quão impactante pode ser um eventual colapso da Genesis. “Dezenas de empresas, como a Gemini, usam a Genesis para ajudar seus clientes a rentabilizar seus ativos. Se uma plataforma centralizada oferece rendimentos, é provável que ela utilize a Genesis.”

Em uma explicação simplificada, o fundador da Blockworks conta que empresas dão as criptomoedas de seus clientes à Genesis. A empresa de empréstimos, então, concede esses mesmos ativos digitais a clientes institucionais, a uma taxa de “x+2%”. Ao final do esquema, a instituição devolve os fundos à Genesis, que então retorna os fundos à empresa centralizada a “x+1%”. Parte desse rendimento é repassado ao cliente.

O problema dessa equação, ressalta Yano, é o risco da contraparte. Ou seja: existem muitas pessoas envolvidas. “Só funciona se as pessoas que pegaram o dinheiro com a Genesis conseguem pagar. Se a Genesis não consegue recuperar os criptoativos, não há o que devolver às plataformas centralizadas. Isso significa que essas plataformas não podem devolver os saldos de seus clientes.”

Além de plataformas centralizadas, baleias também entregam valores diretamente à Genesis. Em caso de colapso, baleias, family offices, exchanges e outras plataformas serão prejudicadas, avalia Jason Yanowitz.

“Por isso a paralisação dos saques na Genesis é algo tão ruim. Eles estão no centro do mercado de criptomoedas. Eles custodiam fundos. Eles ajudam instituições a obterem rendimentos. Eles são o produto financeiro que as plataformas centralizadas oferecem. Isso não é bom.”

O que pode acontecer?

Embora aponte um possível colapso da Genesis como catastrófico, Jason Yanowitz acredita que o Digital Currency Group tem capital para não permitir que isso aconteça. Mas essa pode não ser a realidade. “Eu assumiria que eles não possuem capital e estão correndo para captar esse dinheiro agora.”

Com base nesse cenário, Yano aconselha investidores a não manterem seus fundos em plataformas centralizadas. “Vida longa às finanças descentralizadas”, conclui.

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