Na física, força resultante pode ser compreendida como a representação da substituição de todas as ações sobre um corpo por uma só, como se duas ou mais pessoas empurrassem uma caixa em direções e forças diferentes, fazendo a mesma se movimentar de um jeito alheio à vontade das ações envolvidas, mas sob alguma influência de cada uma delas, em menor ou mais grau. Este raciocínio é análogo ao que pode ser compreendido pelas diferentes movimentações, dentro e fora, do mercado de criptomoedas nos últimos dias, já que a combinação de forças divergentes ajudou a desenhar certa resiliência em alguns preços.
Negociado em torno de US$ 19,4 mil e com alta de 1,3%, o Bitcoin (BTC) respondia por 39,9% de dominância de mercado, cujo volume era de US$ 932 bilhões e registrava crescimento de 1,2%. Ainda que não se sustente, o ligeiro avanço se apresentava com ares de calmaria diante da conturbada economia global.
Baleias e sardinhas do Bitcoin forneceram pistas do que pode ser um recado destes grandes e pequenos investidores para a combalida macroeconomia, a poucos dias de um possível novo aumento na taxa de juros do Federal Reserve System (Fed), o banco central do EUA, para conter a inflação galopante decorrente da fabricação de papel-moeda durante a pandemia. Isso porque, ao longo dos últimos meses o Fed se tornou uma espécie de terror dos investidores, muito dos quais liquidaram suas posições no mercado cripto, favorecendo a baixa dos preços. Porém, a dor de uma possível nova “marretada do Fed” pode não ser tão intensa, pode.
Pelo menos é o que sugerem alguns dados on-chain, como os da plataforma de análise Santiment, que nos últimos dias observou o acúmulo das baleias de US$ 1,9 bilhão em Bitcoin, cujo volume foi o maior desde fevereiro e retratou certa “teimosia” destes grandes players do mercado cripto ao manterem suas posições e colaborarem para redução de oferta de BTC, inclusive nas exchanges de criptomoedas.
Enquanto as baleias fazem “birra” e seguram seus Bitcoins, as sardinhas se rebelam e também podem ajudar a diminuir os efeitos negativos do possível arrocho do Fed. Pelo menos, foi o que sugeriu a plataforma de análise Glassnode ao apresentar um gráfico indicando que as pequenas carteiras do Bitcoin não estão dispostas a permitir que as baleias possam “shortar” a criptomoeda, que é a derrubada de preços para posterior recompra em menor valor. Segundo a Glassnode, esses pequenos peixes, detentores de 0,001 a 10 BTC, aumentaram suas posições de janeiro para cá e ganharam força diante das grandes carteiras.
As principais altcoins por capitalização de mercado, com exceção das stablecoins, também apresentavam certo alívio. O ETH era negociado a US$ 1.349 (+3,17%), o BNB respondia por US$ 274 (+2%), o ADA valia 0,36 (+4,2%), o SOL respondia por US$ 29 (+2,7), o DOGE era negociado por US$ 0,059 (+0,9%), o MATIC era transacionado a US$ 0,89 (+8,18%) e o DOT estava nivelado em US$ 5,88 (+1,4%).
Em relação às altas de dois dígitos, que se apresentava em menor número, o KLAY era negociado por US$ 0,18 (+21,7%), o XYM era cotado a US$ 0,041 (+18,4%), o RNDR respondia por US$ 0,52 (+15,7%), o OP estava avaliado em US$ 0,82 (+12,3%), o SUSHI estava nivelado em US$ 1,41 (+11,9%), o MNW era comprado por US$ 1,81 (+23%), entre outras altas.
Entre outros imbróglios mundiais, está a crise político-econômica no Reino Unido, que se acirrou no final da última semana após a renúncia da primeira-ministra Liz Truss, ocasião em o Bitcoin lutava por US$ 19 mil e os investidores ignoravam bizzarrice do token que subiu 1.749.328%, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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