Em um boletim onchain publicado na última segunda-feira (23), a plataforma de análise blockchain Glassnode elencou alguns fatores que explicaram a perda de impulso de alta, interrompida no final da última semana pela saída de capital do mercado de criptomoedas e a interrupção do movimento de alta do Bitcoin (BTC) e da maioria das altcoins, entre a segunda quinzena de julho e a primeira de agosto, em linhas gerais. Na manhã desta terça-feira (23), o BTC era trocado de mãos por US$ 21,3 mil com alta de 0,5% e respondia por 40,1% de dominância de mercado, cujo volume total era de aproximadamente 1,02 trilhão e registrava alta de 1,6%.
A Glassnode observou que o preço à vista do Bitcoin está abaixo do preço realizado, efeito que também ocorreu em 2018 durante 140 dias, e indicou que a baixa pode se prolongar em razão da necessidade de crescimento de acumulação. Com o preço realizado acima, a Glassnode apresentou dois níveis de suporte em potencial e sugeriu que o BTC pode sofrer novas quedas.
Um dos possíveis alvos está localizado em US$ 13.760 que é o preço Delta, uma métrica calculada como a diferença entre os preços médios realizados e a média de preços de todos os tempos. A outra meta colocaria um suporte de US$ 17.180 para o Bitcoin, neste caso o preço balanceado, que é a diferença entre o preço realizado e o preço transferido (preço ponderado diário), que pode ser traduzido como “valor justo.” Isso porque, segundo a Glassnode, o gráfico de fundo atual do Bitcoin é semelhante ao de 2018-2019.
Gráfico de preços com preço Delta e preço balanceado do BTC. Fonte: Glassnode
A análise também revelou que o movimento de acumulação dos camarões (detentores com menos de 1 BTC) e das baleias (detentores com mais de 10 BTC excluindo mineradores e exchanges), que era forte quando o Bitcoin estava precificado abaixo de US$ 20 mil, perdeu força com a recuperação das últimas semanas, quando a valorização desencadeou uma fase de distribuição generalizada e adicionou pressão de venda.
Monitoramento de acumulação/distribuição do Bitcoin. Fonte: Glassnode
A plataforma ainda apresentou métricas que indicam baixa atividade na rede, relacionadas a novos endereços e à demanda, porém a plataforma disse que o monitoramento aponta para um crescimento na rede, ainda tímido. O que pode ser explicado por outro dado apresentado pela plataforma, no caso o grau de confiança dos detentores de curto prazo. Isso porque a alta sustentável é medida pelo declínio das perdas realizadas, já que os vendedores restantes ficam esgotados, e os lucros realizados de curto prazo, quando a demanda absorve a pressão de venda.
A Glassnode concluiu dizendo que o “ímpeto mensal dos fluxos cambiais também não está sugerindo uma nova onda de investidores entrando no mercado, implicando um influxo de capital relativamente fraco.”
A exemplo do Ethereum (ETH), precificado em US$ 1.608 com ganho diário de 2%, as principais altcoins por capitalização de mercado orbitavam entre 1% e 3,5% de alta, com exceção do Polkadot (DOT), cuja alta era de 6,55% ao ser trocado de mãos por US$ 7,57.
Gráfico semanal do par QLC/USD: Fonte: CoinMarketCap
No rol das exceções, o desconhecido QLC Chain (QLC) chamou a atenção do mercado nas últimas horas, já que o token disparou cerca de 117% e era trocado de mãos em torno de US$ 0,11. O projeto, que se apresenta como uma rede blockchain pública de protocolo Network as a Service (Naas), rede como um serviço, ocupava a 925ª posição no ranking com US$ 27,5 milhões em capitalização de mercado, em alta de 109%, e volume de negociações do QLC de US$ 181,5 milhões, em alta de 1.806%.
Ainda que o inverno cripto se apresente de maneira insistente, o futuro continua aquecendo os visionários. É o caso do ex-executivo do Goldman Sachs Raoul Pal, que afirmou que o mercado cripto poderá explodir 20.000% na “maior acumulação de riqueza da história”, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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