O governo da Venezuela está adotando criptomoedas para contornar as sanções dos Estados Unidos ao país. A empresa estatal venezuelana de petróleo, a PDVSA, estaria considerando aumentar a participação de stablecoins em transações comerciais de petróleo e combustíveis fósseis, caso os bloqueios econômicos dos Estados Unidos ao país sejam recrudescidos, de acordo com uma reportagem publicada pela Reuters na segunda-feira, 22 de abril.

O Departamento do Tesouro dos EUA estabeleceu 31 de maio como data limite para que clientes e fornecedores da PDVSA encerrem seus acordos comerciais com a empresa. A licença fornecida pelo governo dos Estados Unidos não será renovada devido à ausência de reformas políticas e eleitorais no país latinoamericano.

A revogação da licença dificultará o aumento da produção e das exportações de petróleo da PDVSA, uma vez que as empresas terão que receber autorizações individuais do governo dos EUA para fazer negócios com a Venezuela.

Considerando que o dólar é a moeda padrão para liquidação de contratos internacionais de petróleo e combustíveis, a PDVSA poderá, cada vez mais, recorrer ao Tether (USDT), a maior stablecoin atrelada ao dólar em capitalização de mercado, ao firmar contratos de exportação.

A adoção do USDT como moeda de troca para venda de petróleo vem sendo implementada pela PDVSA desde o ano passado, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Em alguns contratos firmados pela empresa, as criptomoedas foram eleitas o modo preferencial de pagamento e liquidação.

Os novos contratos firmados pela PDVSA também exigem que as contrapartes detenham uma carteira digital de criptomoedas para viabilizar as transações comerciais. O uso de ativos digitais em negociações de petróleo no mercado internacional é incomum, e não há regras de conformidade para regulá-los. Com isso, eventuais compradores de petróleo e combustíveis venezuelanos estão precisando recorrer a intermediários para viabilizar as transações. 

A adoção do USDT para exportação de petróleo foi uma das principais alternativas que a PDVSA encontrou para enfrentar as sanções impostas pelos EUA em 2020, inviabilizando o comércio com grandes parceiros comerciais da nação latinoamericana, como a China.

As criptomoedas também estiveram no centro de um escândalo de corrupção de US$ 21 bilhões. Parte dos fundos desviados estavam vinculados a transações com criptomoedas. Desde então, houve uma troca no comando do Ministério do Petróleo e, sob a nova direção, as exportações de óleo cru do país atingiram a marca de 900 mil barris por dia. Um número recorde nos últimos quatro anos.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, potências emergentes estão buscando alternativas ao dólar, prevenindo-se do risco de serem alvo de futuras sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. 

Os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão recorrendo cada vez mais ao ouro na composição de suas reservas internacionais. As criptomoedas, no entanto, ainda ocupam um papel marginal como ativo alternativo de reserva de valor nas principais economias do mundo.