Tão logo o quarto halving do Bitcoin (BTC) foi concluído na sexta-feira, 19 de abril, reduzindo a emissão de novas moedas de 6,25 BTC para 3,125 BTC, o "ouro digital" tornou-se oficialmente mais escasso do que o ouro físico.

A escassez de ambos os ativos é medida pelo modelo stock-to-flow (S2F), que calcula a relação entre o estoque e a emissão do Bitcoin. A fórmula em que se baseia o modelo calcula a relação entre a quantidade de Bitcoins em circulação e a quantidade de Bitcoins produzidos através da mineração em um determinado ano.

Popularizado por PlanB durante o mercado de alta de 2020-2021 ao prever que o preço do Bitcoin chegaria a US$ 100 mil no topo daquele ciclo, o modelo stock-to-flow passou a ser muito criticado pelos membros da comunidade cripto ao frustrar a projeção.

Apesar de ter se mostrado inadequado para antecipar valores futuros do BTC, a ideia central por trás do modelo ainda é válida: o preço do Bitcoin ou do ouro tende a ser impulsionado por sua escassez. Quanto maior o valor da proporção no modelo stock-to-flow, mais escasso é o ativo. No entanto, como ensinam os 15 anos de história do Bitcoin, isso não garante necessariamente que o preço suba indefinidamente

Após o terceiro halving, a relação stock-to-flow do Bitcoin era 56 – apenas um pouco inferior à do ouro. Nos últimos 100 anos, o metal precioso manteve uma média de 66, variando entre 45 e 85, dependendo do ano da medição.

Agora, a relação stock-to-flow do Bitcoin saltou para aproximadamente o dobro da do ouro, em torno de 120. O ouro digital, pelo menos de acordo com essa métrica, tornou-se oficialmente um ativo muito mais escasso do que o ouro físico, como destacou o boletim da Ecoinometrics publicado no dia do halving. 

Comparação do stock-to-flow do ouro e do Bitcoin. Fonte: Ecoinometrics

Previsão do recorde histórico de preço do Bitcoin no atual ciclo de alta

A Ecoinometrics também fez uma projeção sobre o valor máximo que o preço do Bitcoin pode alcançar no atual mercado de alta das criptomoedas, a partir da performance histórica da criptomoeda pioneira na sequência do halving.

"Bem, supondo que se repita a mesma taxa de crescimento dos últimos três ciclos, esperamos que 1 BTC equivalha a algo entre  US$ 140 mil e US$ 4,5 milhões por moeda, a partir do marco inicial de US$ 63.000", escreveu a Ecoinometrics em uma postagem publicada no X (antigo Twitter) em 20 de abril.

A análise da Ecoinometrics rejeita a lei dos retornos descendentes a cada novo ciclo, que assume que os rendimentos sobre o investimento a cada novo ciclo tendem a ser menores do que em mercados de alta anteriores. Embora até hoje tenha se provado verdadeira, nada impede que ela seja subvertida no ciclo atual, pois o preço do Bitcoin costuma proporcionar surpresas positivas aos investidores, diz a postagem da Ecoinometrics:

"Não acho que [a lei dos retornos diminuídos seja uma regra rígida. As grandes ações de tecnologia não estão sofrendo com retornos decrescentes, e o Bitcoin está atualmente na mesma categoria em termos de capitalização de mercado."

Apesar de ser improvável que o preço do Bitcoin atinja os US$ 4,5 milhões do topo superior da faixa, "é possível que chegue a meados de seis dígitos", afirma a Ecoinometrics.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o Bitcoin manteve o suporte de US$ 66.000 ao longo desta segunda-feira.