A Unick Forex, alvo da operação Lamanai da Polícia Federal, pode ter dinheiro "escondido" nos EUA, segundo informou Lucimari Boff, uma das líderes da Unick, em um áudio que circula nas redes sociais.

Sem dar detalhes de como seria esta operação, Boff, que aparentemente enviou o áudio para um investidor da empresa, alega que os recursos da Unick estariam em aplicações no exterior, em países como EUA e Belize, onde a empresa afirma ter um escritório - informação que chegou a ser desmentida pelo administrador do edifício que a empresa afirmou ser a sua sede. 

"Todo dinheiro do povo não está no Brasil, está fora do Brasil nas operações que o Leidimar tem em Orlando nos EUA, Belize (...) todo dinheiro da Unick, do povo não está no Brasil (...) Lá fora eles não podem mexer, se eles pudessem eles já teriam pego" disse Boff.

Os índicios de que Boff estaria divulgado informações falsas são grandes pois a líder afirma que o dinheiro estaria no exterior e cita como sendo um 'país' o estado do Macapá, que fica no Brasil. Além disso ela reforça alegações da Unick de que 'ao sair da cadeia a empresa pagará todo mundo', mesmo tendo em vista que a empresa não vinha pagamento seus clientes há pelo menos 6 meses.

Embora a informação de que a Unick tenha dinheiro investido no exterior não tenha sido confirmada pela Polícia Federal, de fato, no caso de Belize, a PF relata que a empresa teria uma forte atuação no país da América Central, considerado um paraíso fiscal. No entanto a PF ainda não revelou detalhes de como seriam as supostas operações da empresa naquele país.

Caso a Unick ou seus operadores tenham de fato valores aplicados em Belize a Polícia Federal do Brasil terá um trabalho 'extra' para investigar as operações ainda mais se elas forem feitas com Bitcoin.

Belize que faz divisa com a Guatemala, é apontada como sendo um paraíso fiscal por conta de suas políticas que, entre outras, oferecem isenção de todos os impostos locais. A interferência do governo é mínima. No país é possível até comprar imóveis com Bitcoin de maneira totalmente privada e sem a necessidade de reportar qualquer dado sobre a transação para o governo.

"Belize é o país perfeito para guardar seus Bitcoins. Você pode comprar imóveis em Belize com o Bitcoin em uma transação totalmente privada. Quando você compra imóveis com o Bitcoin, sem passar por um banco offshore, o FATCA e os requisitos de relatório não se aplicam ao vendedor / corretor. Assim, você pode manter a transação privada. Observe que os Estados Unidos não exigem que você relate imóveis estrangeiros mantidos em seu nome. Se você comprar imóveis em Belize dentro de uma corporação, LLC ou trust, deverá informar a estrutura. Se você possui a propriedade em seu nome sem uma estrutura, não é necessário relatar a propriedade. Além disso, se você tiver uma conta bancária offshore com mais de US$ 10.000, precisará relatar essa conta no FBAR. Se você concluir a compra usando Bitcoin e nunca tiver uma conta bancária offshore, não será necessário registrar um FBAR", diz uma publicação especializada no assunto.

Em busca de mais informações sobre a Unick Forex, Lucimari Boff, assim como outras 1.200 pessoas que teriam ajudado a propagar a empresa devem ser ouvidas pela Polícia Federal e inclusive devem ser indiciadas no caso assim como Leidimar, Danter e os outros presos durante a operação Lamanai.

Enquanto as operações da Unick Forex no exterior não foram reveladas, a Polícia Federal já apreendeu 44 carros de luxo, totalizando mais de R$ 5 milhões em valores da tabela da Fipe. Duas BMW X6, avaliadas em R$ 390 mil. Um Porsche Panamera, de R$ 400 mil. Uma Range Rover Velar, avaliada em mais de R$ 400 mil. 1550 Bitcoins. Bloqueio judicial de 9 imóveis (valor não divulgado). R$ 200 milhões em diversas contas bancárias. R$ 747 mil reais em dinheiro. R$ 85 mil reais em moedas estrangeiras. Diversas jóias, que estão passando por perícias para identificar autenticidade.

Entretanto o valor apreendido não seria suficiente para pagar todos os credores da empresa. O valor devido pela Unick, que prometia rendimentos de até 400% por meio de supostas aplicações no mercado Forex, proibido no Brasil pela Comissão de Valores Mobiliários, seria superior a R$ 12 bilhões.

A Polícia Federal segue investigando o caso e revelou recentemente, como noticiou o Cointelegraph, que líderes da Unick Forex teriam aplicado um "golpe em cima do golpe". Eles teriam divulgado a empresa e arrecadado dinheiro de clientes alegando que estes valores eram aplicados na Unick, contudo, os valores nunca teriam sido repassados para a Unick, desta forma os líderes teriam construído uma "pirâmide dentro da pirâmide".

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