STJ mantém preso empresário que acusou sócio da BWA de ser dono do Bitcoin Banco e de lavar dinheiro para traficantes

O empresário Guilherme Aere dos Santos, que acusou Paulo Roberto Bilíbio de ser o verdadeiro dono do Grupo Bitcoin Banco e de lavar dinheiro para traficantes, teve um pedido de Habeas Corpus negado pelo STJ que determinou a continuação de sua prisão, conforme decisão publicada hoje, 05 de novembro.

Paulo nega todas as acusações e diz que todos os valores de Guilherme com a BWA foram quitados.

Guilherme confessou ter contratado polícias civis e militares para sequestrar e extorquir o empresário Paulo Bilíbio, apontado como dono da BWA, empresa que oferecia retornos financeiros baseado em operações com Bitcoin e criptomoedas. Além de Guilherme todos os polícias envolvidos no caso também tiveram a prisão mantida pela Superior Tribunal Federal.

O caso virou notícia nos principais veículos de comunicação do país por conta da trama que envolveu o sequestro de Bilibío que chegou a ser mantido ‘em cativeiro’ dentro da Delegacia de Polícia e também envolveu polícias da Rota, do Batalhão do Choque e até ex-delegados da Polícia Federal.

De acordo com os depoimentos dos envolvidos e da publicação do STJ, Guilherme teria investido valores na BWA tendo resgatado seus investimentos em março de 2019, porém, também teria aplicado valores no Grupo Bitcoin Banco, no qual, como tantos outros investidores não conseguiu reaver o dinheiro investido.

Acusando Paulo Bilíbio de ser o verdadeiro dono do Grupo Bitcoin Banco, algo que o empresário nega veemente, teria contratado polícias para extorquir o dono da BWA.

“O investigado teria dito aos policiais civis que a vítima era sócia da empresa GBB e praticava lavagem de dinheiro para traficantes, ainda teria prometido aos policiais parte da quantia recuperada”, segundo os autos.

Após uma série de fatos, Policiais teriam organizado uma blitz em São Paulo na qual identificaram Bilíbio que sem justificativa foi parado, algemado e levado para a delegacia enquanto policiais vasculharam o carro em busca de dinheiro.

“Os policiais teriam dito que Paulo Roberto era um golpista e que seus clientes estavam insatisfeitos, além disso, pegaram seu celular e leram suas mensagens e áudios. Ainda na viatura, MATEUS atendeu um telefonema de outro policial chamado QUEIROZ e um dos policiais disse a Paulo Roberto que um cliente os havia contratado para aquele serviço. QUEIROZ, então, falou com Paulo Roberto e disse que era melhor ele aceitar um acordo, pois não aguentaria um processo e que "os árabes eram muito fortes"”, diz o processo.

No caso, os ‘árabes’ seriam suposto investidores de origem arabe e que Guilherme afirmava terem ligação com grupos extremistas como Estado Islâmico, Hamas, entre outros. Estes ‘árabes’ seriam seus amigos e estariam dispostos a ajudar o empresário a recuperar o dinheiro.

Na delegacia, Paulo Roberto teria sido ameaçado diversas vezes e acusado pelos polícias de ser traficante e golpista (o empresário nega todas as acusações inclusive em depoimento a polícia negou ter qualquer relação com o GBB ou com criminosos). Além disso teria sido extorquido em mais de R$ 1 milhão, valor pago em dinheiro.

“A vítima, querendo livrar-se da situação, contatou seu sócio e conseguiu a quantia de R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais), para pagamento no momento e mais R$ 550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil reais) no dia seguinte. Ficou ainda combinado que mais R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) seriam pagos na segunda- feira, dia 15 de julho. O pagamento dos R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais) foi então realizado pelos seguranças da empresa BWA, já à 00h30m, do dia 12 de julho de 2019, na esquina da Alameda Santos com a Rua Dr. Rafael de Barros, em São Paulo, SP, a um indivíduo ainda não identificado. Na noite do mesmo dia (12/07/2019), quando já estava em liberdade, Roberto pagou o valor de R$550.000,00, tendo os mesmos seguranças levado a quantia ao 73º Distrito Policial, recepcionados pelo mesmo indivíduo não identificado.”, diz o processo.

Não satisfeito com o pagamento, Paulo Bilíbio ainda teria sido abordado, junto com a família, em um shopping em Santos e, temendo pela sua segurança teria contratado dois advogados que seriam ex-delegados da Polícia Federal.

“Temendo por sua vida e de sua família, o ofendido entrou em contato com Edmilson Pereira Bruno e Leandro Daiello Coimbra, delegados de polícia federal aposentados, que prestavam assessoria de risco a Paulo Roberto”

Em busca de resolver o caso os advogados de Paulo Bilíbio entraram em contato com os policiais, um deles da Rota e outro do Batalhão do Choque, buscando uma solução.

“Na ocasião o ex-delegado teria dito aos policiais que eles foram enganados por Guilherme Aere, pediu que devolvesse o valor extorquido e que testemunhassem em favor da vítima em procedimento instaurado pelo GAECO para apurar as condutas de Paulo Roberto. No entanto, os policiais não aceitaram nenhuma das propostas.”, segundo o caso.

Após denúncia junto a Corregedoria e ao GAECO, tanto os polícias acusados de extorsão quanto o empresário foram presos, sendo que Guilherme Aere dos Santos confirmou o crime e “admitiu que mandou um de seus seguranças ameaçar Paulo Roberto Bilíbio, no shopping Praia Mar”

No entanto, mesmo tendo confessado o crime o empresário entrou com um pedido de Habeas Corpus junto ao STJ, pedido que foi negado na decisão publicada hoje, 05 de novembro.
Como já salientou o Cointelegraph, Paulo Bilíbio nega qualquer envolvimento com o Grupo Bitcoin Banco e com Cláudio Oliveira, nega ser sócio do GBB e afirma que todos os valores devidos a Guilherme Aere com relação a BWA foram pagos (fato admitido por Aere).

Como vem noticiando o Cointelegraph o Grupo Bitcoin Banco não teria lesado apenas o investidor agora preso. Milhares de pessoas em todo o Brasil não conseguem sacar suas criptomoedas presas na plataforma. Cláudio Oliveira, controlador do GBB, alega que irá resolver todos os problemas até o ano que vem.

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