Em um mundo em que grande parte da comunicação acontece on-line, a guerra não se dá exclusivamente nos campos de batalha. Ataques cibernéticos, disseminação de fake news e contrapropaganda são armas importantes para atingir e desestabilizar o inimigo.
Conscientes disso, ucranianos e opositores da guerra que trabalham em empresas de alta tecnologia ocidentais estão se unindo através de uma rede informal de colaboradores para derrubar sites de contra-informação mantidos e alimentados pela Rússia.
O objetivo principal é fazer com que os cidadãos russos se voltem contra o regime de Vladimir Putin, desestabilizando internamente a autoridade do comandante em chefe, informa reportagem da agência Reuters publicada na quarta-feira. Além disso, eles tentam acelerar iniciativas de ajuda humanitária em benefício da população ucraniana.
As ações não se limitam a ações voluntárias coordenadas. Os profissionais do Vale do Silício estariam tentando persuadir as empresas nas quais trabalham, como o Google, a Amazon e a Cloudfare, que desenvolve sistemas de segurança cibernética, a agirem institucionalmente para combater a invasão russa.
O presidente da fabricante de software CloudLinux, Igor Seletskiy, pediu que a Cloudflare deixe de prestar serviços aos sites de notícias russos. De acordo com a Reuters, a Cloudflare afirma ter dispensado alguns clientes russos por conta das sanções e está escrutinando contas sinalizadas no e-mail de Seletskiy para possivelmente tomar novas atitudes.
Empregados do Google, entre os quais centenas de descendentes de ucranianos, enviaram uma carta ao presidente-executivo da empresa, Sundar Pichai, pedindo que a Alphabet ofereça mais ajuda humanitária à Ucrânia e modifique alguns de seus serviços de geolocalização e ferramentas de direcionamento de publicidade de forma a proteger o país sob ataque.
Embora a empresa tenha declinado de manifestar-se oficialmente sobre as medidas que estão sendo tomadas em relação aos seus serviços nos países envolvidos no conflito, nos últimos dias o Google proibiu a mídia estatal russa de utilizar suas ferramentas de publicidade e de distribuição de conteúdo e tomou medidas de segurança para proteger usuários se seus produtos na Ucrânia.
"As empresas devem isolar a Rússia na medida do possível, o mais rápido possível", disse Olexiy Oryeshko, engenheiro de software do Google, que é um norte-americano com descendência ucraniana. "As sanções não são suficientes", disse ele, referindo-se às restrições econômicas impostas pelos governos ocidentais ao regime de Vladimir Putin.
Oryeshko é um dos nove voluntários que declararam à Reuters ter atendido ao chamado do governo ucraniano para formar um "exército de TI" (tecnologia de informação) com o objetivo de combater o inimigo também no ciberspaço.
O vice-ministro de transformação digital da Ucrânia, Alexander Bornyakov, disse à Reuters na quarta-feira que esse exército informal já conta com mais de 250.000 pessoas. Segundo o ministro, as armas do batalhão digital da Ucrânia já teriam atingido mais de 50 milhões de russos, em parte por meio de 100.000 telefonemas usando uma gravação automática em que é exigida uma retirada incondicional das tropas da Rússia do território ucraniano.
Ajuda humanitária
A organização de ajuda humanitária Nova Ucrânia, cuja base fica no Vale do Silício, pediu que a Amazon ponha à disposição dos voluntários sua infraestrutura de transporte e distribuição para levar produtos farmaceuticos e outros itens de primeira necessidade até as fronteira da Ucrânia com países vizinhos, como a Polônia e a Romênia. “Eles têm a capacidade de operar em uma escala que ninguém mais tem”, disse Igor Markov, diretor da Nova Ucrânia e cientista de pesquisa tecnológica.
A Amazon não se manifestou oficialmente a respeito da solicitação. No entanto, mais cedo nesta semana, através de um comunicado oficial, a empresa declarara que a doaria até US$ 10 milhões para organizações mobilizadas em ações de apoio à população da Ucrânia.
Conforme noticiou o Cointelegraph recentemente, a comunidade cripto global está contribuindo ativamente com fundos para financiar iniciativas de defesa do território ucraniano e de ajuda humanitária. Segundo o mais recente comunicado do ministro de transformação digital do país, Mykhailo Fedorov, no aplicativo de mensagens instantâneas Telegram, o governo ucraniano já recebeu cerca de US$ 30 milhões em criptomoedas desde o último sábado, 26.
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