A senadora Elizabeth Warren foi a principal autora de uma carta assinada por outros 28 senadores e 76 membros da Câmara dos Deputados sobre o papel das criptomoedas no financiamento do terrorismo. Os signatários são filiados tanto aos democratas quanto aos republicanos e incluíam um independente, embora os democratas fossem maioria.

A carta, datada de 17 de outubro, foi endereçada ao Subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, Brian Nelson, e ao Conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan. Os autores citaram uma reportagem que afirmava que o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina arrecadaram mais de US$ 130 milhões em doações de criptomoedas entre agosto de 2021 e junho de 2023, e apenas uma pequena parte deste montante foi recuperada ou congelada. A carta dizia:

"O fato de o ataque mortal do Hamas contra civis israelenses ocorrer quando o grupo se tornou 'um dos usuários de criptomoedas mais sofisticados no domínio do financiamento do terror' deixa clara a ameaça à segurança nacional que as criptomoedas representam para os EUA e nossos aliados."

E continuou: "À medida que o Congresso considera projetos de lei destinados a mitigar a lavagem de dinheiro com criptomoedas e os riscos de financiamentos ilícitos, pedimos que você aja de forma rápida e categórica para restringir significativamente a atividade ilícita envolvendo criptomoedas."

Em seguida, fez nove perguntas aos destinatários, questionando quais as informações que o governo do presidente Joe Biden tem sobre quem está por trás do financiamento do terrorismo, o que está sendo feito sobre o uso de criptomoedas para financiar o terrorismo e quais outros recursos o governo precisa para mitigar eventuais danos.

Warren é uma das mais proeminentes oponentes das criptomoedas no Congresso dos EUA. Ela apresentou a Lei de Combate à Lavagem de Dinheiro de Ativos Digitais em dezembro do ano passado e o reapresentou recentemente. O projeto de lei estava recebendo pouco apoio antes do início do conflito entre Israel e o Hamas, mas os acontecimentos dos últimos dias fizeram com que ele conquistasse novos apoiadores.

"O Tesouro dos EUA sanciona operador de criptomoedas baseado em Gaza, supostamente ligado ao Hamas. Descubra como as organizações terroristas usaram o Buy Cash Money para transferências de fundos. Mantenha-se informado e leia mais no Cointelegraph:

— Blackhat (@blackhat_TM)

A carta contém assinaturas de outros congressistas que se opõem ativamente às criptomoedas, como Roger Marshall e Sean Casten. O presidente do Comitê Bancário do Senado, Sherrod Brown, que pediu a regulamentação das criptomoedas, mas não apoiou o projeto de lei de Warren, também assinou a carta.

Os defensores das criptomoedas Cynthia Lummis, Kirsten Gillibrand e Patrick McHenry não assinaram a carta, mas muitos dos signatários não tinham nenhuma posição clara sobre as criptomoedas. Os signatários Jake Auchincloss e Josh Gottheimer anteriormente já mostraram-se simpáticos às criptomoedas.

Comentários de Nelson sobre o financiamento do Hamas. Fonte: Departamento do Tesouro dos EUA

O Departamento do Tesouro divulgou os comentários de Nelson preparados para uma conferência da Deloitte sobre combate à lavagem de dinheiro em 17 de outubro. Nelson disse que o Hamas tinha "recursos exclusivos" e "possui métodos bem aperfeiçoados de acessar sub-repticiamente o sistema financeiro formal." Nelson se referiu a portfólios secretos de investimento, empresas de fachada, instituições filantrópicas falsas e extorsão. Além disso:

"Estamos monitorando de perto como o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina (PIJ) usam ativos virtuais para arrecadar e movimentar fundos [...] e o Tesouro continuará a exigir transparência no ecossistema de ativos virtuais para combater a atividade ilícita de criminosos, estados desonestos e financiadores de terrorismo."

Além disso, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro anunciou sanções contra uma "exchange de moedas virtuais baseada em Gaza e seu operador", juntamente com vários outros colaboradores do Hamas em 18 de outubro.

LEIA MAIS