Muitos investidores assumem que o Bitcoin (BTC) é um ativo deflacionário, uma vez que seu valor aumenta ao longo do tempo e, consequentemente, o poder de compra dos detentores da moeda criada por Satoshi Nakamoto também. No entanto, tecnicamente, o Bitcoin é um ativo inflacionário porque o suprimento em circulação da criptomoeda aumenta ao longo do tempo, apesar da redução periódica implementada automaticamente pelo halving.
Ao contrário da desvalorização monetária que vem assolando o dólar, o real e muitas outras moedas fiduciárias ao redor do mundo, a inflação do Bitcoin é pré-programada, descendente e totalmente previsível, como ironicamente destacou Rafael Schultze-Kraft, cofundador da plataforma de análise de dados on-chain Glassnode em uma postagem no Twitter posterior à divulgação do índice de inflação dos EUA no mês de fevereiro.
BREAKING: #Bitcoin inflation rate currently sitting at 1.7%, continues to follow its preprogrammed, fully predictable downwards trajectory. pic.twitter.com/Ga8PCvf6dd
— Rafael Schultze-Kraft (@n3ocortex) March 10, 2022
URGENTE: A taxa de inflação do #Bitcoin, atualmente em 1,7%, continua a seguir sua trajetória descendente pré-programada e totalmente previsível.
— Rafael Schultze-Kraft (@n3ocortex)
Como se pode ver no gráfico que acompanha a postagem, a taxa de inflação do Bitcoin responde com precisão à redução pela metade de moedas emitidas a cada novo halving, conforme previsto pelo seu criador. A inflação do Bitcoin só chegará a zero quando todos os BTCs estiverem em circulação e não houver mais moedas a serem mineradas.
Aliás, a taxa de inflação do Bitcoin foi inspirada no ouro. O metal precioso também é um ativo inflacionário. No entanto, a emissão de novos Bitcoin assim como a extração de novas jazidas de ouro não causam a depreciação de ambos os ativos devido a outra característica comum a ambos: a escassez.
Em comparação, as moedas fiduciárias são abundantes. Sua emissão desenfreada tem o efeito de diluir o valor de face do dinheiro e isto está se fazendo sentir como nunca agora, depois de um período de expansão monetária utilizado pelo Tesouro dos EUA como forma de combater os efeitos da COVID-19 sobre a atividade econômica.
Na última quinta-feira foram divulgados os números da inflação dos EUA durante o mês de fevereiro. O Ínidce de Preços ao Consumidor (CPI) bateu em 7,9%, o maior patamar em 40 anos. Enquanto isso, no Brasil, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) atingiu 10,54% no acumulado de 12 meses. Desde setembro do ano passado, o indicador registra dois dígitos nessa base de comparação.
Tanto nos EUA quanto no Brasil, os números da inflação ainda não refletem os efeitos da guerra na Ucrânia, que provocou uma disparada no preço das commodities e dos custos energéticos, sem perspectiva de reversão de tendência à medida que a escalada das tensões entre a Rússia e o Ocidente não para de crescer.
No fim de semana, a inflação virou tema de debate entre Elon Musk e Michael Saylor no Twitter. Enquanto o CEO da Micro Strategy reafirmou sua fé no Bitcoin, Musk, cuja relação com a maior criptomoeda do mercado é ambivalente, concordou que ativos escassos são portos seguro em tempos de inflação alta. O CEO da Tesla afirmou que ainda possui e não vai vender Bitcoin, Ethereum (ETH) e Dogecoin (DOGE). No caso do criptomeme, a escassez não está entre as suas qualidades, pois sua emissão foi programada para ser ilimitada.
À espera do aumento da taxa de juros dos EUA, que será anunciado pelo Banco Central (Fed) na quarta-feira, 16, restando apenas saber com qual magnitude, o Bitcoin mantém-se estável neste início de semana. Na tarde desta segunda-feira, registra uma baixa intradiária de 1% e está cotado a US$ 38.600, de acordo com dados do CoinGecko.
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