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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Tokens RWA superam R$ 1,5 bi e crescem 1.134% no Brasil

Emissões contemplam normatizados pela CVM e iniciativas privadas e tokens; total em janeiro supera R$ 122 milhões.

Tokens RWA superam R$ 1,5 bi e crescem 1.134% no Brasil
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Resumo da notícia:

  • Mercado de tokens RWA salta de 1.134,7% em 12 meses e supera R$ 1,5 bilhão no Brasil em janeiro.

  • Tokens normatizados pela CVM puxam movimento ascendente.

  • Iniciativas privadas também se destacam.

O mercado de tokens de ativos do mundo real (RWA, na sigla em inglês) no Brasil superou R$ 1,5 bilhão em janeiro, com um crescimento de 1.134,7% em 12 meses, segundo dados divulgados esta semana pelo RWA Monitor.

De acordo com a plataforma brasileira de monitoramento de instrumentos de tokenização, no final de janeiro de 2025 o volume total de emissões tokenizadas somava R$ 1.506.348.813,83. O volume inclui emissões de tokens RWA dentro de normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a CVM 88 (resolução que trata de tokenização de crowdfunding e recebíveis) e a CVM 160 (que trata de ofertas públicas, primária ou secundária, de valores mobiliários), além de cunhagens da iniciativa privada.

O que vemos em janeiro de 2026 é que a combinação entre plataformas mais maduras, originadores preparados e capital institucional criou um efeito de rede que acelerou a adoção em ritmo exponencial. Quando as captações diárias superam R$ 500 milhões, isso sinaliza que a tokenização deixou de ser um experimento e passou a integrar a infraestrutura financeira do país como um canal real de financiamento e alocação de capital, afirmou analista e fundador do RWA Monitor, Rodrigo Caggiano.

CVM 88

Caggiano salientou que, no contexto da tokenização RWA, a CVM 88 se tornou a principal base legal para estruturar emissões digitais de recebíveis, cotas de investimentos e outros instrumentos financeiros representados por tokens, permitindo que esses ativos sejam ofertados ao público dentro de um arcabouço reconhecido pelo regulador. Para o analista, a norma funciona como uma ponte entre o mercado de capitais tradicional e a nova infraestrutura baseada em blockchain, ao mesmo tempo em que reforça a confiança institucional e amplia o acesso de investidores a produtos antes restritos a operações privadas.

De acordo com os dados do RWA Monitor, dentre as emissões registradas no mês de janeiro, os instrumentos estruturados sob a CVM 88 mantiveram protagonismo ao concentrar a maior parte da expansão recente do mercado. As operações (realizada por 9 tokenizadoras) passaram a abranger CCBs (R$ 4,61 milhões), CPRs (R$ 200 mil), debêntures tokenizadas (R$ 76,63 milhões), duplicatas (R$ 7,37 milhões), notas comerciais (R$ 32,36 milhões), recebíveis de cartão (R$ 29,35 milhões) e renda variável digital (R$ 10 milhões). No total, essas estruturas somam R$ 160,54 milhões em volume tokenizado, evidenciando uma mudança clara de patamar do mercado, que avança não apenas em diversidade de ativos, mas também em escala, sofisticação financeira e profundidade operacional.

Na avaliação de Rodrigo Caggiano, “a CVM 88 cumpriu um papel decisivo ao transformar a tokenização de um nicho experimental em um mercado acessível e institucionalmente confiável”.

Ao criar regras claras para ofertas digitais, a norma reduziu a assimetria de informação e ampliou a base de investidores, o que explica o salto tanto em volume captado quanto em escala operacional. Os números mostram que a infraestrutura regulatória deixou de ser um freio e passou a atuar como motor de crescimento para as emissões tokenizadas no Brasil, emendou.

CVM 160

Sobre a Resolução CVM 160, norma que substituiu regras anteriores e reformulou o regime de ofertas públicas de valores mobiliários no Brasil, criando um modelo mais flexível e alinhado às práticas internacionais para a captação de recursos no mercado de capitais, o fundador do RWA Monitor destacou que a nova orientação da autarquia passou a organizar as ofertas em diferentes ritos, que variam conforme o tipo de investidor, o volume da captação e o nível de divulgação exigido, permitindo que emissores escolham estruturas mais adequadas ao perfil de cada operação.

Rodrigo Caggiano acrescentou que, no contexto da tokenização e dos ativos do mundo real, a CVM 160 se tornou base para emissões de maior porte e com foco em investidores profissionais e institucionais, permitindo que tokens representativos de valores mobiliários sejam distribuídos dentro de um arcabouço regulatório reconhecido. Segundo ele, a norma atua como um elo entre a infraestrutura digital baseada em blockchain e o mercado tradicional, viabilizando operações de alto valor com segurança jurídica e previsibilidade regulatória.

Dentro dessas regras, no mês de janeiro, o RWA Monitor relatou que as emissões estruturadas sob a CVM 160 avançaram em ritmo ainda mais concentrado e com forte presença institucional, refletindo o perfil mais sofisticado das ofertas registradas nesse enquadramento. O segmento conta atualmente com 2 tokenizadoras ativas, responsáveis por 21 ativos tokenizados. No entanto, em janeiro somente a VERT realizou emissões, que somaram R$ 1,3 bilhão (R$ 1.344.221.052,40).

Emissões privadas

O analista acrescentou que as emissões privadas seguiram como um pilar complementar da expansão da tokenização no Brasil, atendendo principalmente operações estruturadas fora do regime de oferta pública e com foco em investidores qualificados e relações diretas entre emissores e compradores. Nesse caso, o segmento reúne atualmente 4 tokenizadoras ativas e 26 ativos tokenizados, com um volume total de emissão em janeiro de R$ 1,585 milhão, refletindo um mercado ainda menor em escala quando comparado às ofertas públicas reguladas, mas significativamente mais flexível em termos de estruturação, prazos e negociação direta.

Enquanto isso, a Anbima convida bancos, gestoras, corretoras, entre outros, para testes de tokenização de debêntures e fundos de investimento no país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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