Renúncia do presidente boliviano Evo Morales pode levantar questões sobre uso de blockchain nas eleições

No último domingo (10), o então presidente da Bolívia Evo Morales renunciou ao cargo sob as acusações de fraude eleitoral e o país desde então sofre com relatos de um golpe militar-religioso e violência civil nas ruas.

Enquanto isso, parte da internet voltou a comentar sobre o uso da blockchain nas eleições. Usuários dizem que a adoção de blockchain seria a melhor solução para evitar casos de fraude em eleições como a da Bolívia.

Paralelamente, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, defendeu no Twitter uso de voto em papel no país para "evitar fraudes". O presidente, porém, parece ignorar que esté é justamente o método usado nas eleições no país e que levou à renúncia de Evo.

Empresas como a brasileira OriginalMy, que utiliza a tecnologia de cadeia de blocos para autenticar documentos em cartório, e a Agora, empresa suíça que fez um teste de como seria o seu uso em eleições, são casos que ganham cada vez mais espaço em eleições pelo mundo.

Blockchain nas eleições

O primeiro uso eleitoral da blockchain aconteceu em 2014, quando a Aliança Liberal da Dinamarca a utilizou para uma votação interna. Após isso, no ano de 2018, Suíça, Japão relataram eleições bem-sucedidas utilizando a ferramenta para pequenos assuntos municipais e os Estados Unidos, no âmbito estadual.

Além da polêmica situação em Serra Leoa, que havia sido noticiado o uso de blockchain nas eleições em sua capital, Freetown, o que depois foi desmentido pelas autoridades.

Na época, a Agora, empresa suíça, teria participado como uma observadora internacional, cobrindo 280 locais de votação. Os votos foram registrados manualmente pela própria companhia de forma independente, sem a possibilidade de interferência nos resultados oficiais.

Além disso, no site E-Cidadania já é possível ver projetos legislativos que abordam a utilização da blockchain em eleições brasileiras, com o mais antigo datado de 2016.

Blockchain da Voatz

A blockchain é um sistema distribuído por vários servidores separados geograficamente. Esses servidores são chamados de "verificadores" porque sua função é verificar a autenticidade dos blocos (ou seja, coleta de votos) contendo votos anônimos antes de serem adicionados à blockchain. Depois que um bloco é verificado e adicionado à coleção de blocos anteriores, os votos são copiados para cada servidor de verificação e não podem ser alterados.

Após a verificação do eleitor, as jurisdições eleitorais iniciam o processo enviando uma votação móvel a um eleitor qualificado. Contidas na cédula móvel estão "fichas" - pense nelas como possíveis votos - que estão criptograficamente vinculadas a uma pergunta de candidato ou medida de cédula.

Um dos casos de uso da blockchain em eleições é o app Voatz, disponível para smartphones. Através dele, depois de enviados, os votos para as escolhas na votação são verificados por vários "verificadores" ou nós de validação. A blockchain em todos os verificadores é atualizada automaticamente e o processo se repete à medida que os eleitores adicionais enviam suas seleções.

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