Líder de igreja evangélica é alvo de operação da PF contra pirâmide financeira com Bitcoin

Um líder religioso da cidade de Serra, no Espírito Santo, foi alvo nesta semana de uma operação da Polícia Federal contra um esquema de investimentos fraudulentos em Bitcoin, sob suspeita de pirâmide financeira. A "Operação Madoff" foi deflagrada na segunda-feira (20), conforme noticiado em um post do site JusBrasil.

A empresa em questão seria a Trader Group Investimentos, que atuava desde 2017 e tinha o líder evangélico Wesley Binz como CEO e atuação também nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Moçambique. 

O Trader Group oferecia serviços de gestão de carteiras de BTC, prometendo retorno de no mínimo 20% aos investidores. Em entrevista à Gazeta Online em janeiro, Wesley dizia: "Nosso padrão de negócio é o mais avançado e bem estruturado, e servirá de modelo para o futuro". 

A empresa encerrou suas atividades por determinação judicial em maio. O Trader Group não tinha autorização nem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem do Banco Central para atuar como gestor de ativos ou agente financeiro.

O delegado da PF, Guilherme Helmer, diz que "a suspeita é de que os valores aplicados pelos poupadores não eram realmente destinados a compras de Bitcoins e que a empresa funcionaria como um esquema Ponzi, um tipo de pirâmide financeira". As autoridades também suspeitam que os ativos eram usados paga pagamento de dívidas antigas.

Nesta etapa da operação, a PF apreendeu apenas 2,8 BTCs e quatro carros de luxo, equivalentes a cerca de R$ 91.800. Apesar disso, a PF também encontrou uma chave pública de BTC com 4.000 moedas (valendo cerca de (R$ 11,2 milhões), mas não pôde comprovar que ela pertencia à empresa.

O Cointelegraph Brasil noticiou a primeira fase da operação em maio, quando os nomes dos envolvidos e da empresa em questão ainda eram protegidos por sigilo judicial. Conforme as autoridades divulgaram na época, os acusados devem responder por gestão fraudulenta, negociação de valores mobiliários sem autorização ou registro prévio, fazer funcionar instituição financeira sem autorização legal e associação criminosa.