Cointelegraph
Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Regulamentação pode pavimentar caminho para blockchain em pagamentos internacionais, diz CFO do Bitybank

Ibiaçu Caetano esteve presente no Blockchain Rio em painel dedicado à indústria de pagamentos cross-border.

Regulamentação pode pavimentar caminho para blockchain em pagamentos internacionais, diz CFO do Bitybank
Brasil

O CFO da exchange brasileira Bitybank, Ibiaçu Caetano, defendeu a regulamentação como facilitadora do avanço de soluções em blockchain para pagamentos internacionais. O executivo foi um dos participantes do painel “A dinâmica da indústria de Pagamentos Cross-border”, que aconteceu na tarde da última quarta-feira (6) no Blockchain Rio.

O debate, que teve como objetivo analisar com mais profundidade os avanços tecnológicos que vêm transformando os fluxos financeiros internacionais e promovendo uma maior integração econômica global, contou ainda com a presença de outros representantes da indústria cripto brasileira: Nicolas Afonso (Caliza), Márlison Silva (Transfero) e Glauber Mota (Revolut).

O painel abordou como a redução de custos nos pagamentos internacionais pode ampliar a inclusão financeira e contribuir para a expansão de negócios impactados por barreiras fronteiriças. Os participantes ressaltaram que tecnologias como stablecoins e a infraestrutura blockchain já estão disponíveis e operacionais, oferecendo soluções mais rápidas, seguras e acessíveis. O principal desafio, no entanto, deixou de ser técnico e passou a ser regulatório.

O problema não é a conversão ou a transferência em si, mas entender as exigências dos reguladores, que ainda não possuem normas específicas para o uso de stablecoins, avaliou Ibiaçu Caetano.

Outro ponto abordado foi o alto custo da insegurança regulatória, já que a incerteza obriga empresas a contratarem consultorias jurídicas especializadas e a realizarem investimentos expressivos para interpretar normas vagas. Sobre essa questão, o CFO do Bitybank pontuou que “é preciso dinheiro para interpretar o que não está escrito nas entrelinhas”. Enquanto isso, players internacionais optam por atuar apenas dentro de ambientes com regulação claramente definida, o que desacelera a adoção de inovações, segundo ele.

A discussão também tocou na percepção de risco ainda associada ao setor de criptoativos. Mesmo empresas que operam com seriedade e transparência são frequentemente classificadas como de “alto risco”, o que gera tarifas elevadas e dificulta relações com bancos tradicionais. Para Caetano, “cripto é um ativo. O risco não está no ativo em si, mas no uso que se faz dele. Com regulação clara, poderemos diferenciar os setores, identificar quem opera de forma segura e oferecer acesso a preços mais justos.”

O painel ainda enfatizou a importância da transparência nos fluxos internacionais. No sistema financeiro tradicional, os intermediários cumprem o papel de checar origem e destino dos recursos, enquanto, no ecossistema cripto, essa verificação ainda é um desafio, sobretudo na identificação do beneficiário final. O que aumenta a chance de recusas em transações legítimas, porque os painelistas concordaram que a tecnologia avança mais rapidamente do que a regulação, e que um esforço conjunto entre empresas e órgãos reguladores será essencial para acompanhar esse ritmo.

Para o representante da exchange, o painel mostrou que, embora a ousadia seja fundamental para transformar o mercado, a segurança jurídica, aliada a profissionais capacitados e boas práticas de compliance, é o que permitirá a consolidação de soluções sustentáveis no cenário internacional.

O grande vencedor desse processo regulatório é, com certeza, o consumidor final. Ele vai acessar mais soluções de pagamentos transfronteiriços, com melhor qualidade, melhores preços e também com um nível muito alto de segurança, não apenas regulatória, mas também em relação à prevenção à lavagem de dinheiro, concluiu.

Por sua vez, Juan Carlos Reyes também defendeu regulação rígida e atacou especuladores do setor cripto. O presidente da Comissão Nacional de Ativos Digitais de El Salvador foi outro que marcou presença no Blockchain Rio e disse, em outro painel, que “os primeiros a entrarem em qualquer indústria são os criminosos”, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy