Um evento raríssimo chamou a atenção da comunidade Bitcoin nesta quarta-feira, quando dois blocos "órfãos" foram criados e descartados na blockchain da maior criptomoeda do mundo.

Os dois blocos foram minerados pela F2Pool e pela Slush na altura dos blocos 656.477 e 656.478. Ao mesmo tempo, os mesmos blocos foram abertos por outras duas mineradoras, BTC.com e Binance, o que gerou uma divisão da cadeia e os blocos duplicados foram descartados sem prejuízo para as transações, segundo a BitMEX Research publicou no Twitter:

 

Ainda segundo a BitMEX, não houve prejuízos para as transações. Mas como a mineração de Bitcoin pode gerar um bloco "órfão" e descartá-lo?

Como acontece um bloco "órfão"?

Na blockchain do Bitcoin, cada bloco de uma blockchain é formado por várias transações recolhidas pelas mineradores na fila. Os blocos órfãos são mais comuns na rede do Bitcoin e geralmente são rejeitados quando duas mineradoras produzem um bloco muito próximo ao mesmo tempo. Como apenas um bloco pode existir no fim, o vencedor é decidido com base em qual bloco tem uma maior prova de trabalho.

Há também casos em que hackers tentam criar blocos órfãos na tentativa de reverter transações e roubar fundos, como explicou o Cointelegraph Brasil neste artigo.

Porém, quando um bloco órfão acontece na blockchain, como as transações vão para o fim da fila, o melhor é esperar que a transferência seja completada ou as criptomoedas sejam recuperadas. Quando um bloco deste tipo é identificado, as transações voltam para a fila e são incluídas em um bloco subsequente.

A criação de blocos órfãos é comum nas blockchains, mas a criação de dois blocos órfãos seguidos, como aconteceu nesta quarta-feira, é bem mais rara. No fim de setembro, a BitMEX Research também encontrou dois blocos obsoletos, com também a incidência do evento em julho e agosto.

Segundo especialistas, apesar de não serem raros, podem impactar na mineração. Segundo um porta-voz da BitMEX Research, os blocos órfãos resultam "em trabalho desperdiçado, menor proof-of-work, o que pode tornar a rede mais barata de atacar.

Além disso, ele diz que os blocos órfãos "podem beneficiar as mineradoras maiores, aumentando a pressão de centralização”.

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