O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, teria trocado o Pix pelo Bitcoin, segundo sugeriu uma postagem da revista Bitcoin Magazine, uma das principais publicações do mercado de criptoativos.
A 'troca' é sugerida pela revista pelo fato do presidente do Banco Central ter pedido férias da instituição e, no período, ter viajado pela Miami, justamente na data em que ocorre a Bitcoin Miami, o maior evento de criptomoedas do mundo.
O evento é reconhecido por reunir não só especialistas em criptomoedas mas também membros do poder executivo de diversas partes do mundo, como ocorre com o presidente de El Salvador, governadores dos EUA e até mesmo o prefeito do Rio de Janeiro, já estiveram presentes na conferência.
Embora nunca tenha declarado publicamente ser um 'bitcoiner', Campos Neto nunca escondeu seu amor pela tecnologia blockchain e pelos criptoativos, tendo inclusive orientado a construção do CBDC brasileiro para o ambiente de contratos inteligentes e finanças descentralizadas (DeFi).
Além disso, na outra ponta da 'troca' sugerida pela revista está o PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil que passa por um momento de tensão devido a ampla greve e demissões em massa de funcionários do Banco Central colocando em risco o funcionamento do sistema.
Procurado o Banco Central não comentou a publicação.
The Brazil Central Bank chief is reportedly in Miami this week. 🇧🇷
— Bitcoin Magazine (@BitcoinMagazine) April 2, 2022
The same week as the largest #Bitcoin conference in history in Miami... 🤔
Trocando as reservas em dólar
Embora não tenha sido possível confirmar se Campos Neto estará presente na Bitcoin Miami, o que já está certo é que o dólar vem perdendo espaço entre as moedas de reserva do Banco Central no Brasil.
O "Relatório de Gestão de Reservas Internacionais" do Banco Central publicado em 30 de março revela que, em 2021, o Brasil diminuiu suas reservas em dólar e em euro, ao mesmo tempo em que aumentou sua exposição ao yuan e ao ouro.
A moeda chinesa, que até 2018 sequer figurava nas reservas internacionais do país, agora já é o terceiro principal ativo sob a guarda do Banco Central, pouco atrás do euro. O volume de yuan nas reservas internacionais do Brasil praticamente quadruplicou de 2020 para 2021, subindo de 1,21% para 4,99%, enquanto a exposição ao euro caiu de 7,85% para 5,04%.
O dólar segue sendo a moeda dominante das reservas internacionais do Brasil, mas sua participação se reduziu de 86,03% para 80,34% do total. Por sua vez, as reservas em ouro praticamente dobraram de 2020 para 2021, registrando um aumento de 1,19% para 2,25%, referendando uma tendência de aumento da exposição ao metal precioso verificada desde 2015.
O crescimento do yuan e a retração do dólar e do euro refletem a importância econômica da China para o Brasil. Atualmente, o gigante asiático responde por 28% do comércio internacional com o país. O montante representa mais do que o dobro dos Estados Unidos, que vem em segundo lugar, segundo dados do Banco Mundial.
LEIA MAIS