O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, teria trocado o Pix pelo Bitcoin, segundo sugeriu uma postagem da revista Bitcoin Magazine, uma das principais publicações do mercado de criptoativos.

A 'troca' é sugerida pela revista pelo fato do presidente do Banco Central ter pedido férias da instituição e, no período, ter viajado pela Miami, justamente na data em que ocorre a Bitcoin Miami, o maior evento de criptomoedas do mundo.

O evento é reconhecido por reunir não só especialistas em criptomoedas mas também membros do poder executivo de diversas partes do mundo, como ocorre com o presidente de El Salvador, governadores dos EUA e até mesmo o prefeito do Rio de Janeiro, já estiveram presentes na conferência.

Embora nunca tenha declarado publicamente ser um 'bitcoiner', Campos Neto nunca escondeu seu amor pela tecnologia blockchain e pelos criptoativos, tendo inclusive orientado a construção do CBDC brasileiro para o ambiente de contratos inteligentes e finanças descentralizadas (DeFi).

Além disso, na outra ponta da 'troca' sugerida pela revista está o PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil que passa por um momento de tensão devido a ampla greve e demissões em massa de funcionários do Banco Central colocando em risco o funcionamento do sistema.

Procurado o Banco Central não comentou a publicação.

Trocando as reservas em dólar

Embora não tenha sido possível confirmar se Campos Neto estará presente na Bitcoin Miami, o que já está certo é que o dólar vem perdendo espaço entre as moedas de reserva do Banco Central no Brasil.

"Relatório de Gestão de Reservas Internacionais" do Banco Central publicado em 30 de março revela que, em 2021, o Brasil diminuiu suas reservas em dólar e em euro, ao mesmo tempo em que aumentou sua exposição ao yuan e ao ouro.

A moeda chinesa, que até 2018 sequer figurava nas reservas internacionais do país, agora já é o terceiro principal ativo sob a guarda do Banco Central, pouco atrás do euro. O volume de yuan nas reservas internacionais do Brasil praticamente quadruplicou de 2020 para 2021, subindo de 1,21% para 4,99%, enquanto a exposição ao euro caiu de 7,85% para 5,04%.

O dólar segue sendo a moeda dominante das reservas internacionais do Brasil, mas sua participação se reduziu de 86,03% para 80,34% do total. Por sua vez, as reservas em ouro praticamente dobraram de 2020 para 2021, registrando um aumento de 1,19% para 2,25%, referendando uma tendência de aumento da exposição ao metal precioso verificada desde 2015.

O crescimento do yuan e a retração do dólar e do euro refletem a importância econômica da China para o Brasil. Atualmente, o gigante asiático responde por 28% do comércio internacional com o país. O montante representa mais do que o dobro dos Estados Unidos, que vem em segundo lugar, segundo dados do Banco Mundial.

LEIA MAIS