Policia Federal revela que Leidimar Lopes não era o único dono da Unick Forex e que empresa ocultou bens

Uma reportagem publicada em 18 de dezembro pelo Jornal NH, revelou que Leidimar Lopes, presidente da Unick Forex, não seria o único 'dono' da suposta pirâmide financeira. De acordo com a publicação, que teve acesso ao inquérito da Polícia Federal, o advogado Fernando Baum Salomon, seria um sócio oculto do suposto esquema.

Salomon, que também foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Lamani, nega as acusações. A suspeita inicial, que levou a prisão do advogado, seria de que ele atuaria juntamente com Caren Greff de Oliveira a partir do seu escritório de advocacia.

Ele teria cedido contas pessoais e de seu escritório de advocacia Fernando Salomon e Advogados Associados para a suposta organização criminosa manter valores que teria captado dos clientes, e reportaria movimentações nestas contas a Leidimar Lopes. Além disso ele teria efetuado movimentações de conta bancária do seu escritório de advocacia para empresas que teriam sido indicadas por Leidimar para fins de pagamentos a clientes da Unick Forex.

No entanto, interceptações telefônicas de líderes da Unick Forex realizadas pela Polícia Federal (PF) revelaram que havia muito mais, e que Salomon seria sócio oculto de Leidimar Lopes e inclusive teria atuado, por meio de contatos, junto a Polícia Federal para obter informações sigilosas sobre a investigação, antes mesmo da Operação Lamanai ocorrer.

Segundo a reportagem, Salomon, teria contratado um serviço de espionagem para obter informações sigilosas sobre a investigação. O movimento teria começado logo após a Polícia Federal ter realizado a operação que acabou com a Indeal, outra empresa acusada de ser uma pirâmide financeira.

Com receio de que assim como a Indeal a Polícia Federal iniciasse uma investigação contra a  Unick e seus líderes, Salomon teria contratado até hackers. O serviço todo de espionagem seria comandado por um ex-policial federal aposentado, ligado a ex-diretores da PF, como o ex-diretor Geral da PF, Leandro Daiello Coimbra.

Aparentemente o serviço de espionagem conseguiu identificar algumas informações sobre o inquérito, fazendo com que os diretores da Unick Forex iniciaram uma 'operação' para ocultar bens da empresa e dos supostos líderes.

A ocultação de bens teria sido realizada em países da Europa como Mônaco, onde a empresa teria comprado um iate de luxo e Luxemburgo. De fato a Polícia Federal já havia revelado que a Unick teria usado empresas offshore para mandar dinheiro para as nações citadas e também para Belize e Panamá. A empresa responsável pela 'ocultação' dos bens seria uma offshore que operava no Uruguai.

A Unick Forex é acusada de operar um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado até R$ 28 bilhões. A empresa ofereria rentabilidade de até 4% ao dia, por meio de suposta operações no mercado Forex, proibido no Brasil pela Comissão de Valores Mobiliários.

A empresa que já havia sido notificada pelo menos três vezes pela CVM para cessar seus serviços teria começado a atrasar os saques de seus clientes no primeiro semestre do ano, gerando inúmeras ações judiciais, investigações e denúncias as autoridades.

Ao NH, a defesa de Fernando Salomon disse que ele não exercia função de gestor na Unick e que ele foi apenas contratado pelo Leidimar, em 2018, para “trabalhar na regularização da Unick junto à CVM.”

A defesa também nega que Salomon tenha participação na contratação do policial federal inativo para a Unick, alegando que eles são amigos de muitos anos e que houve apenas a contratação da empresa de inteligência para localizar o patrimônio de um cliente que não pagou honorários advocatícios.

Também questionado pela reportagem do NH, o ex-diretor geral da PF Leandro Daiello Coimbra disse nunca ter trabalhado para a Unick. Sobre ter trabalhado para Salomon, Coimbra disse não ter nada a declarar.

Como noticiou o Cointelegraph, a Unick Forex, alvo da operação Lamanai da Polícia Federal, pode ter dinheiro "escondido" nos EUA, segundo informou Lucimari Boff, uma das líderes da Unick, em um áudio que circula nas redes sociais.

Sem dar detalhes de como seria esta operação, Boff, que aparentemente enviou o áudio para um investidor da empresa, alega que os recursos da Unick estariam em aplicações no exterior, em países como EUA e Belize, onde a empresa afirma ter um escritório - informação que chegou a ser desmentida pelo administrador do edifício que a empresa afirmou ser a sua sede. 

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