O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu nesta sexta-feira que vazamentos de dados de usuários do Pix deverão acontecer com "alguma frequência", informou reportagem da Folha de São Paulo. A declaração foi dada durante um evento da Esfera Brasil sobre a política monetária brasileira.

No entanto, Campos Neto minimizou os eventuais vazamentos sob o argumento de que informações como CPF, telefone celular e e-mail de cidadãos brasileiros podem ser consultados através de outras plataformas:

"É importante entender que o vazamento de dados do Pix não são relevantes no sentido de que são dados que não são tão sensíveis."

Na quarta-feira, 3 de fevereiro, o Banco Central relatou o terceiro vazamento de dados do Pix desde que o sistema de transferências e pagamentos instantâneos foi implantado em novembro de 2020. No mais recente vazamento foram reveladas 2.112 chaves Pix de clientes que realizaram transações envolvendo a instituição de pagamento Logbank nos dias 24 e 25 de janeiro.

Campos Neto justificou a recorrência de incidentes desta natureza em função do crescimento da base de usuários e do número de transações realizadas através do serviço:

"Como entendemos que esse mundo de dados vai crescer exponencialmente, os vazamentos vão acontecer com alguma frequência."

Nas três ocasiões em que relatou os vazamentos, os comunicados do Banco Central negaram que tenham sido revelados dados sensíveis dos usuários, tais como senhas, extratos, saldos ou outras informações sob sigilo bancário das contas envolvidas.

Anteriormente, em 21 de janeiro, o BC havia informado que falhas pontuais nos sistemas da Acesso Soluções de Pagamento S.A. expusera os dados cadastrais vinculados a 160.147 chaves Pix sob a guarda e responsabilidade da instituição. A institiuição financeira é uma das empresas que intermedia saques e depósitos da Binance no Brasil, através de uma parceria com o banco digital Capitual.

O primeiro vazamento ocorrera em setembro do ano passado, quando foram expostos dados vinculados a aproximadamente 400 mil chaves Pix de clientes de instituições bancárias que realizaram operações financeiras com clientes do Banese (Banco do Estado de Sergipe), conforme noticiou o Cointelegraph Brasil na ocasião.

Atualmente, o Pix tem 120 milhões de usuários cadastrados, entre pessoas físicas e jurídicas, e movimenta cerca de R$ 550 bilhões por mês.

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