Cointelegraph
Leandro França de Mello
Escrito por Leandro França de Mello,Ex-redator(a) da equipe
Rafaela Romano
Revisado por Rafaela Romano,Ex-editor da equipe

Stablecoins algorítmicas: criptomoedas que estabilizam preço de forma descentralizada

stablecoins algorítmicas têm por missão servirem de instrumento financeiro para quem foge da excessiva volatilidade das criptomoedas

Stablecoins algorítmicas: criptomoedas que estabilizam preço de forma descentralizada
Notícias

Stablecoins algorítmicas, também chamados de moedas baseadas em ativos ou moedas no estilo de senhoriagem, não são apoiados por colaterais. Em vez disso, eles visam atrelar o preço de um token ao seu nível alvo usando algoritmos em cadeia que aumentam ou diminuem o fornecimento, ou compram e vendem tokens, de acordo com as condições de mercado.

Em palavras simples, ele emite mais moedas quando o preço sobe e reduz a oferta quando o preço cai. Por exemplo, suponha que uma stablecoin vale US$ 1. Quando cai para US$ 0,80, um algoritmo reconhece o desequilíbrio entre a oferta e a demanda e define automaticamente uma ordem de compra no mercado para empurrar o preço para trás. Caso o preço fique acima de US$ 1, o algoritmo vende ativos para manter o preço no nível acordado.

Portanto, a conclusão última é, toda stablecoin baseada em algoritmos tem como função primal equilibrar um suprimento circulante do próprio ativo. 

Dito isto, o que esperar desse mercado e quais os principais exemplos desse tipo de stablecoins.  Os principais modelos em termos de capitalização de mercado são atualmente Empty Set Dollar (ESD) e Ampleforth (AMPL).

O algoritmo do ESD é definido para manter seu preço estável em torno de 1 USDC que é uma stablecoin, que por sua vez é indexada ao dólar americano. A AMPL, por outro lado, está atrelada ao dólar dos EUA diretamente - com "rebases" diários para estabilizar o preço.

Basicamente, o algoritmo reduzirá o fornecimento de tokens se seu preço permanecer abaixo do preço da moeda fiduciária pela qual era garantido (por exemplo, USD). Se o seu preço exceder o fiat, tokens adicionais serão emitidos até que o preço volte a ser igual ou abaixo do preço do fiat. Ampleforth (AMPL) é um protocolo de criptomoeda baseado em Ethereum com um fornecimento de circulação ajustado algoritmicamente.

Embora à primeira vista pareça que sistemas como estes sejam contra a volatilidade, a Ampleforth não tenta remover a volatilidade do sistema. Na verdade, por design, permite volatilidade. Os movimentos do preço-alvo são o principal mecanismo que envolve a política de abastecimento.

O protocolo ESD teria como meta uma taxa de reserva de 20-30%, inicialmente denominada em USDC. Essas reservas são financiadas em parte pelo próprio protocolo, que vende ESD no mercado aberto quando a ESD está acima de um determinado preço-alvo, e também por titulares de ESD que desejam se desvincular do DAO (eles devem fazer um depósito nas reservas). Essas reservas de USDC são então usadas para estabilizar o protocolo durante a contração, comprando automaticamente ESD até que o requisito de reserva mínima seja alcançado. Comparativamente falando, o ESD serve mais à especulação que o AMPL.

O token AMPL recompensa os detentores com inflação quando a demanda é alta e força os detentores a serem financiadores de dívidas quando a demanda está baixa. aComo tal, é difícil ver como o AMPL pode servir a esse propósito especulativo e alcançar a estabilidade que é o objetivo de uma stablecoins.

Um ecossistema em crescimento

As Stablecoins representam um dispositivo de inovação às indústrias tradicionais de pagamento e finanças em uma era econômica e tecnológica em evolução, onde as ofertas de produtos e sistemas financeiros por grandes empresas de tecnologia estão substituindo os serviços dos bancos convencionais. Por exemplo, a adoção em larga escala do projeto Libra/Diem do Facebook pelo usuário poderia remodelar o cenário de pagamento digital e introduzir novos riscos para o sistema financeiro global, circulação de moedas fiduciárias soberanas e desafios para a política monetária.

Por isso tanta oposição dos organismos de controle monetário, tais como Banco Central Europeu (BCE), o G20, o Federal Reserve (Fed) e os demais bancos centrais ao redor do mundo que se manifestaram contra a iniciativa.

Contudo, a discussão sobre a pertinência de moedas soberanas de bancos centrais (CBDC - na sigla em inglês) veio à tona e atualmente há diversos experimentos ao redor do mundo, como a CBDC chinesa, canadense e a discussão entrou em pauta em diversos segmentos. Recentemente o presidente do Banco Central do Brasil (Bacen) afirmou que há discussões sobre o lançamento de uma versão digital do real brasileiro.


Mas perguntas sobre a pertinência das stablecoins algorítmicas permanece no ar. Elas podem realmente alcançar a viabilidade de longo prazo? As stablecoins algorítmicas sempre estarão sujeitas a ciclos extremos de expansão e contração? Qual modelo é mais interessante: um modelo simples de rebasing ou um sistema de "senhoriagem" com vários tokens (ou algo totalmente diferente)?
 

Fonte: DInSights

É importante notar, entretanto, que stablecoins algorítmicas são extremamente novas e esses projetos são posicionados como experimentos para aumentar e melhorar o espaço DeFi. Será interessante ver com o tempo como eles se ajustam a fim de atingir a meta de estabilidade algorítmica sem garantias ou dívidas para apoiá-la.
 

LEIA MAIS

 

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy