Um dos mais fortes motores do Brasil, o agronegócio, tem se aproximado cada vez mais da criptoeconomia. Vários projetos de criptomoedas envolvendo produtos e empresas rurais têm mostrado o aumento do interesse do campo pelo digital. Mas para entender a grandeza desse movimento, é preciso saber o tamanho desse mercado.

Cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em parceria com a CNA, de 2020, mostram que o agronegócio brasileiro alcançou participação de 26,6% no Produto Interno Bruto do Brasil.

Em 2019, a porcentagem tinha sido de 20,5%. Quem trabalha no campo tem tido cada vez mais importância na economia nacional. E a realidade das próprias empresas têm mudado e se modernizado. 

Em outras palavras, a criptoeconomia também tem alcançado os sertanejos e as empresas que representam o setor.

E não é de hoje que o campo tem mostrado sua força como celeiro do mundo e autor das melhores marcas econômicas do Brasil.

A data de 28 de julho surgiu como dia do Agricultor por meio de um projeto de lei de 1960, promulgado pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Ele assinou a lei acreditando, já naquela época, que os agricultores eram os principais responsáveis pelo crescimento econômico do Brasil. 

A data foi escolhida em comemoração ao aniversário de 100 anos da fundação da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, em 1860, por Dom Pedro II.

Iniciativas no agronegócio

Atualmente, projetos como o Agrotoken têm mudado a cara dos negócios no campo. O Agrotoken é a primeira plataforma global de tokenização de commodities agrícolas. O site cita as mudanças tecnológicas como incentivo para abrir possibilidades de criar um novo ecossistema confiável, transparente e descentralizado para realizar o sonho dos produtores: usar sua produção como se fosse moeda.

A Criptosoja da Agrotoken é a considerada a primeira stablecoin garantida em soja. Por meio da tokenização, que significa converter cultivos reais em ativos digitais, é criada uma stablecoin (que é uma moeda estável com paridade em grãos). 

Isto significa que para cada Token de Criptosoja SOYA há uma tonelada de soja real custodiada em armazenagem validada através de uma PoGR (Prova de Reserva de grãos por sua sigla em Inglês). 

O método é considerado transparente, seguro, descentralizado e auditável em todos os momentos, através do blockchain ethereum que é o sistema que gerencia. Toda essa tecnologia transforma os Tokens em Stablecoin Globais, criptoativos cujo valor de referência é o preço dos grãos correspondentes no mercado local onde são produzidos. Quem é produtor também pode tokenizar sua produção. 

Outro projeto que já está em vigor é o do Coffee Coin®, que surgiu depois que agricultores brasileiros fizeram parceria com a Microsoft para lançar a criptomoeda lastreada em café. 

Cada Coffee Coin® vale o equivalente a um quilo de café verde no padrão commodity, atualizado diariamente com valores de mercado. Ou seja, o valor equivalente do Coffee Coin® está sempre atualizado com o real valor comercial do café e tudo é processado automaticamente durante a compra.

Na Bahia, produtores de cacau, no sul do estado, adotaram blockchain para rastrear a produção. O objetivo é se tornar referência mundial no setor ao digitalizar a produção, para garantir segurança e qualidade do produto.

AgroVantagens

Uma nova criptomoeda tem uma intenção mais ousada. A iniciativa do projeto AgroVantagens, um programa de fidelidade e benefícios voltado ao agronegócio, tem planos de emitir US$ 1 bilhão de unidades do token, batizado de Agro฿onus, pelos próximos cinco anos.

A ideia é estimular a economia circular do setor. Jean Carbonera, CEO do AgroVantagens, explicou:

“Com o Agro฿onus todos vão poder se beneficiar e contribuir com o crescimento do setor, o aperfeiçoamento e a sustentabilidade ambiental da produção de alimentos no país e no mundo. É um token inédito no Brasil e que vai trazer muitos benefícios para os seus usuários e empresas que participarem do programa”.

Ainda no Brasil, uma das principais exchanges de criptomoedas do país estaria negociando uma parceria com a startup A de Agro com a finalidade de unir o mundo dos criptoativos com o setor da agricultura 4.0, como mostrou o Cointelegraph.

Com a expansão das possibilidades do mercado de criptomoedas e a adesão de novos participantes no setor, as empresas de criptoativos do Brasil estão buscando ampliar seu escopo de atuação para abraçar as novas alternativas e produtos em negócios oferecidos pela tecnologia blockchain.

Informações compartilhadas com o Cointelegraph, revelam que as conversas para essa parceria estariam avançadas e um dos produtos de ligação entre as empresas pode ser a emissão de um token que será usado para incentivar e promover ações no setor do agronegócio.

Desta forma, agricultores teriam sua produção comprada e vendida com a criptomoeda que também poderia ser usada para empréstimos, entre outras aplicações. O token, ainda segundo fontes, seria atrelado ao valor da cotação da safra da produção, eliminando assim possíveis riscos de volatilidade do mercado das criptomoedas.

A operação ainda deve envolver outros atores como Bancos tradicionais, cooperativas de créditos, entre outros atores.

Recentemente, a A de Agro, que atua no mercado desde 2015, fechou uma parceria com o BTG Pactual, banco que tem ampliado sua atuação no mercado de criptomoedas e está cada vez mais próximo da exchange Mercado Bitcoin.

Outro projeto que está se tornando realidade é o do SUCOIN, de uma empresa argentina. Os tokens são emitidos com a tecnologia Blockchain. E cada token emitido é lastreado por um saco de 50 kg de açúcar tipo A, armazenado sob a custódia da Bitnoa. A auditoria da armazenagem das sacas de açúcar pode ser feita por qualquer cliente ou entidade competente.

Manter o token dá a qualquer usuário o direito de reivindicar o ativo que o suporta a qualquer momento, bem como sua venda no mercado de criptomoedas.

A empresa explica que o Sucoin dá a possibilidade de guardar sacas de açúcar gratuitamente e manter sua economia vinculada ao preço de mercado.

Afirma, ainda, que “não são pesos, nem dólares, nem criptomoedas, é AÇÚCAR e seu valor depende do mercado, o que lhe dá a possibilidade de diversificar sua poupança.”

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